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E-commerce · Guia

Guia completo de precificação em marketplaces: do custo ao lucro líquido

Aprenda a formar preço, entender todas as saídas de dinheiro, comparar canais, definir preço mínimo e desconto máximo e decidir com margem — não por faturamento.

Publicado em 5 de setembro de 2026 64 min de leitura Revisado em 5 de setembro de 2026
Painel 3D de precificação comparando custos, preço e lucro em diferentes marketplaces
Painel 3D de precificação comparando custos, preço e lucro em diferentes marketplaces
01

Diagnóstico inicial: por que faturamento alto pode esconder prejuízo

Os cinco erros mais comuns e o que você vai decidir ao final.

Existe uma frase que vendedores de marketplace repetem com orgulho: "este mês faturei R$ 80 mil". O problema é que faturamento é só a linha de cima da conta. Entre a venda e o que sobra no banco passam comissões, tarifas fixas, impostos, frete, embalagem, mídia, devoluções, antecipações e chargebacks. Um vendedor que fatura R$ 80 mil e fica com R$ 2 mil de lucro trabalhou dois meses para o marketplace, para o transportador e para a Receita — não para si. A pergunta certa não é "quanto faturei?", mas "quanto sobrou de cada venda depois de todas as saídas?".

Este guia parte de um princípio simples: decidir com margem, não por faturamento. Margem é o percentual do preço que sobra como lucro líquido após todos os custos e taxas. Faturamento sem margem é volume de trabalho sem retorno. Um produto que vende mil unidades a R$ 30 com 2% de margem gera R$ 600 de lucro; outro que vende cem unidades a R$ 90 com 18% de margem gera R$ 1.620. O segundo negócio é menor, mais simples e mais rentável — e é o que sobrevive quando a plataforma muda as regras.

Os cinco erros mais comuns de precificação

  1. Multiplicar o custo por um fator arbitrário (1,3, 1,5, 2) e chamar o resultado de margem — sem descontar comissão, imposto, frete e mídia.
  2. Confundir markup com margem sobre venda e prometer ao sócio uma margem que nunca existe no papel.
  3. Definir preço copiando o concorrente sem conhecer o próprio custo — o concorrente pode ter escala, fornecedor ou regime tributário diferente.
  4. Oferecer frete grátis sem incorporar o custo do frete no preço — o frete grátis não é grátis, alguém paga.
  5. Aumentar a mídia para "fazer volume" sem conectar o gasto à margem de contribuição — ROAS alto não é sinônimo de lucro.

Cada um desses erros tem uma causa comum: o vendedor enxerga a venda, mas não enxerga as saídas. A precificação correta inverte a ordem: primeiro mapeia todas as saídas, depois define o preço que deixa a margem desejada. É o que este guia ensina, passo a passo, com fórmulas, exemplos, tabelas e calculadoras incorporadas.

Decisão

O que você vai decidir ao final

Ao final deste guia você será capaz de: (1) levantar o custo real do produto, incluindo perdas e custo financeiro do estoque; (2) entender onde cada tarifa do marketplace entra na fórmula; (3) calcular o preço de venda que gera a margem desejada; (4) definir preço mínimo e desconto máximo sem cruzar o prejuízo; (5) comparar Mercado Livre, Shopee, Amazon e TikTok Shop pela margem líquida, não pela comissão; e (6) montar um plano de 7 dias para revisar preços todo mês.

Vale um exercício mental que ajuda a fixar a diferença entre faturamento e lucro. Imagine dois vendedores do mesmo produto, mesmo preço, mesmo marketplace. O vendedor A compra do fornecedor por R$ 50, não investe em mídia e subsidia R$ 5 de frete. O vendedor B compra do mesmo fornecedor por R$ 45 (negociou volume), investe 6% em mídia e não subsidia frete. Os dois faturam R$ 100 por venda. Mas o vendedor A fica com R$ 100 − 50 − 14 (comissão) − 6 (imposto) − 5 (frete) − 3 (embalagem) = R$ 22 de lucro. O vendedor B fica com R$ 100 − 45 − 14 − 6 − 6 (mídia) − 3 = R$ 26. O vendedor B fatura o mesmo e lucra 18% a mais — porque enxergou as saídas que o A ignorou. Faturamento igual, lucro diferente. É isso que separa quem decide por margem de quem decide por faturamento.

Outro ponto que costuma surpreender: o vendedor que mais fatura nem sempre é o que mais lucra, e o que mais lucra nem sempre é o que mais vende. Uma loja com 200 SKUs de ticket baixo e margem de 4% pode faturar R$ 200 mil e lucrar R$ 8 mil. Uma loja com 30 SKUs de ticket médio e margem de 18% pode faturar R$ 80 mil e lucrar R$ 14,4 mil. A segunda loja trabalha menos, tem menos estoque, menos devolução e menos risco — e lucra mais. Crescer por faturamento sem margem é construir uma máquina de trabalhar de graça; crescer por margem é construir uma máquina de lucrar.

Se você já tem produto cadastrado, abra agora a calculadora de lucro no marketplace e simule uma venda real. Os números que aparecerem vão orientar a leitura de cada seção a seguir. Se ainda não vendeu nada, siga o guia na ordem: ele foi construído como uma jornada, do diagnóstico até o plano de implementação.

02

O mapa completo da precificação

As dez saídas que toda venda em marketplace tem.

Antes de qualquer fórmula, é preciso enxergar o mapa inteiro. Toda venda em marketplace tem, no mínimo, dez saídas de dinheiro. Ignorar uma delas é o caminho mais rápido para o prejuízo silencioso — aquele em que a conta bancária cresce menos que o esforço. O mapa abaixo é a base de tudo o que vem depois: cada seção deste guia aprofunda uma ou mais dessas saídas.

As dez saídas de uma venda em marketplace
SaídaO que éQuando entra no cálculo
AquisiçãoCusto de trazer o cliente (anúncios, afiliados)Sempre que há mídia paga ou comissão de afiliado
Custo postoCompra ou fabricação do produto + inbound até o CDEm toda venda — é o CMV
OperaçãoEmbalagem, etiquetagem, separação, conferênciaPor unidade vendida
CanalComissão percentual + tarifa fixa do marketplaceEm toda venda — varia por plataforma e categoria
TributosImposto sobre faturamento (Simples, Lucro Presumido etc.)Sobre a receita — varia por regime
LogísticaFrete subsidiado, coleta, devolução, armazenagemQuando o vendedor paga parte ou todo o frete
MídiaAnúncios dentro e fora do marketplaceQuando há investimento em aquisição
PerdasDevoluções, chargeback, roubo, avaria, quebraProvisão percentual sobre a venda
MargemO lucro líquido desejadoÉ o que sobra — o objetivo da precificação
CaixaAntecipação de recebíveis, prazo de saqueCusto financeiro do dinheiro parado

O caixa não é uma saída direta por venda, mas o prazo de recebimento e a antecipação têm custo financeiro real e entram na análise de rentabilidade do canal.

A ordem do mapa não é aleatória: ela segue o fluxo do dinheiro. Primeiro você gasta para trazer o cliente (aquisição), depois entrega o produto (custo posto e operação), o canal cobra a comissão (canal), o governo cobra o imposto (tributos), a transportadora cobra o frete (logística), você investe em anúncios (mídia), uma parte das vendas volta (perdas) e, por fim, sobra a margem. O caixa fecha a conta porque o prazo entre vender e receber tem custo.

Cuidado

A saída mais escondida: perdas

Devoluções e chargebacks são a saída mais subestimada. Um marketplace com 8% de devolução exige que o preço absorva essa perda — senão, o lucro evaporou antes do fim do mês. Provisão para perdas não é pessimismo; é precisão.

Caixa e o custo do tempo

A décima saída — o caixa — merece atenção especial porque é invisível. O marketplace não paga a venda na hora: há um prazo entre a confirmação da venda e a liberação do saque, e esse prazo pode ser de dias ou semanas. Se o vendedor precisa do dinheiro para repor estoque, paga antecipação; se não paga antecipação, financia o estoque com capital próprio ou empréstimo — e ambos têm custo. O custo financeiro do prazo de recebimento é real, mesmo que não apareça como linha na nota.

Exemplo

Custo do prazo de recebimento

Uma venda de R$ 100 com prazo de saque de 30 dias. Se o vendedor antecipa a R$ 1,99% ao saque, paga R$ 1,99 — quase 2% da venda. Se não antecipa, mas financia estoque com empréstimo a 1,5% ao mês, o custo financeiro do dinheiro parado é proporcional. Em produtos de giro lento, o custo do prazo come a margem. Em produtos de giro rápido, ele dilui.

Por isso, ao comparar canais, o prazo de recebimento é um critério — não só a comissão. Um marketplace com comissão 1 ponto menor mas prazo de saque de 45 dias pode ser pior que outro com comissão 1 ponto maior e saque em 7 dias, dependendo do custo de capital do vendedor. Use a calculadora de taxa de antecipação para medir o custo do prazo.

Cada uma dessas saídas tem uma seção dedicada adiante. O importante agora é gravar o mapa: se você não consegue nomear as dez saídas de uma venda, não consegue precificar. Para aprofundar a visão geral, leia Quanto realmente sobra de uma venda no marketplace? — o artigo que decompõe uma venda típica linha por linha.

Material gratuito

Checklist dos 17 custos que podem destruir sua margem

Revise produto, tarifa, logística, imposto, mídia, devolução e repasse antes de transformar faturamento em prejuízo.

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Conceitos que não podem ser confundidos

Receita, lucro bruto, margem de contribuição, lucro líquido, markup, margem sobre venda, CMV, custo fixo e variável.

A maior parte dos erros de precificação nasce de confusão conceitual. Vendedor que mistura markup com margem, ou lucro bruto com lucro líquido, promete margem que não existe e se frustra no fim do mês. Esta seção separa, com fórmulas e mini-exemplos, os nove conceitos que não podem ser confundidos.

Receita, lucro bruto e CMV

Receita é o que o cliente paga. CMV (custo da mercadoria vendida) é o custo direto do produto. Lucro bruto é a receita menos o CMV. O lucro bruto ainda não desconta comissão, frete, imposto, mídia ou embalagem — é só a primeira subtração.

Lucro bruto

Lucro bruto = Receita − CMV

Onde usar: Logo após a venda, antes de qualquer taxa ou custo operacional.

Lucro bruto positivo não garante lucro líquido. Uma venda com lucro bruto de R$ 40 pode virar prejuízo após R$ 45 de taxas e custos.

Exemplo

Mini-exemplo de lucro bruto

Preço R$ 100, custo do produto R$ 40. Lucro bruto = 100 − 40 = R$ 60. Parece bom — mas faltam comissão (R$ 14), imposto (R$ 6), frete (R$ 10), embalagem (R$ 3) e mídia (R$ 8). O lucro líquido real é R$ 19, não R$ 60.

Margem de contribuição e lucro líquido

Margem de contribuição é a receita menos os custos variáveis — aqueles que escalam com a venda: comissão, imposto, mídia e provisão de devoluções. É o valor que cada venda gera para cobrir os custos fixos do negócio e formar lucro. Lucro líquido é a receita menos tudo: custos variáveis, custos fixos por unidade (produto, tarifa fixa, frete, embalagem) e a provisão de perdas.

Margem de contribuição

Margem de contribuição = Receita − Custos variáveis

Onde usar: Custos variáveis = comissão + imposto + mídia + provisão de devoluções.

Se a margem de contribuição for negativa, cada venda destrói caixa — não existe volume que salve esse negócio.

Lucro líquido

Lucro líquido = Receita − (CMV + comissão + tarifa fixa + imposto + frete + embalagem + mídia + provisão de perdas)

Onde usar: É o número que importa para a decisão comercial.

Margem líquida = Lucro líquido ÷ Receita. É a margem sobre venda, não o markup.

Markup e margem sobre venda

Markup é o multiplicador aplicado ao custo. Margem sobre venda é o percentual do preço que sobra como lucro. Os dois não são iguais e confundi-los é o erro mais caro da precificação. Multiplicar o custo por 1,3 gera markup de 30% (margem sobre custo), mas a margem sobre venda é 30/130 = 23,1%. Para obter 30% de margem sobre venda, divide-se o custo por (1 − 0,30) = 0,70, o que dá um preço de 1,4286× o custo.

Markup vs. margem sobre venda

Margem sobre venda = Markup / (1 + Markup) | Markup = Margem sobre venda / (1 − Margem sobre venda)

Onde usar: Use markup quando parte do custo; use margem sobre venda quando parte do preço.

Para 30% de margem sobre venda, o markup é 0,30/0,70 = 0,4286, ou seja, preço = custo × 1,4286. Use a calculadora de markup para converter entre os dois.

Exemplo

Markup de 30% não é margem de 30%

Custo R$ 100. Markup 30% → preço R$ 130. Margem sobre venda = 30/130 = 23,1%. Para margem de 30% sobre venda: preço = 100/(1−0,30) = R$ 142,86. A diferença são R$ 12,86 por unidade — em mil vendas, R$ 12.860 de lucro que sumiu.

Custo fixo e custo variável

Custo fixo não varia com a quantidade vendida (aluguel, software, salário). Por unidade, ele diminui conforme o volume sobe. Custo variável escala com a venda (comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções). A distinção importa porque a margem de contribuição só cobre custos fixos se for positiva — e o ponto de equilíbrio é onde a margem de contribuição total iguala o custo fixo do período.

Ponto de equilíbrio

Ponto de equilíbrio (unidades) = Custo fixo do período ÷ Margem de contribuição por unidade

Onde usar: Volume mínimo de vendas para não ter prejuízo no período.

Use a calculadora de ponto de equilíbrio para encontrar o volume que cobre seus custos fixos.

Margem de contribuição na prática

A margem de contribuição é o conceito que mais muda a forma de pensar mídia e desconto. Ela responde a uma pergunta precisa: quanto cada venda adicional gera, depois dos custos que escalam com ela? Se a resposta é positiva, vender mais ajuda; se é negativa, vender mais destrói caixa. É por isso que uma campanha de mídia pode aumentar o faturamento e diminuir o lucro: se o custo da mídia supera a margem de contribuição, cada venda extra traz prejuízo.

Exemplo

Margem de contribuição e mídia

Preço R$ 100, custo do produto R$ 40, comissão 14%, imposto 6%, provisão 2%. Margem de contribuição = 100 − 40 − 14 − 6 − 2 = R$ 38 (38%). Se a mídia custa R$ 0,40 por real de receita (ACOS 40%), sobram R$ 38 − R$ 40 = −R$ 2. A campanha dá prejuízo mesmo com ROAS de 2,5. O ROAS mínimo de equilíbrio é 1/0,38 = 2,63.

Esse número — o ROAS mínimo de equilíbrio — é o que separa uma campanha que lucra de uma que queima dinheiro. Ele é o inverso da margem de contribuição. Para 38%, o ROAS mínimo é 2,63; para 20%, é 5; para 10%, é 10. Quanto menor a margem de contribuição, mais alto o ROAS que a campanha precisa bater — e mais fácil é o vendedor se iludir com ROAS aparentemente bom.

Cuidado

Nunca prometa margem sem especificar a base

Margem sobre custo ≠ margem sobre venda. Sempre diga qual das duas está usando. Um sócio que espera 30% de margem sobre venda e recebe 23,1% (markup de 30%) vai cobrar a diferença — e com razão.
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Levantamento do custo real do produto

Compra, fabricação, embalagem, inbound, armazenagem, perdas, devoluções e custo financeiro do estoque.

O custo do produto não é só o preço de compra. Entre o fornecedor e a prateleira do CD, somam-se inbound (frete do fornecedor até o armazém), armazenagem, perdas, devoluções e o custo financeiro do dinheiro parado em estoque. Ignorar esses componentes é subestimar o CMV — e subestimar o CMV é precificar abaixo do real, vendendo com margem aparente que não existe.

Componentes do custo real

  • Compra ou fabricação: o valor pago ao fornecedor ou o custo de produção direta.
  • Inbound: frete, imposto de importação e taxas alfandegárias do fornecedor até o CD.
  • Embalagem de proteção: caixa externa, plástico, fita, amortecimento.
  • Etiquetagem: etiqueta do marketplace, código de barras, lacre.
  • Armazenagem: custo mensal do metro quadrado ou da unidade armazenada (FBA, Full, CD próprio).
  • Perdas: roubo, avaria, validade, quebra no manuseio.
  • Devoluções: custo de logística reversa + perda de valor do produto devolvido.
  • Custo financeiro do estoque: custo de oportunidade do capital parado (juros sobre o valor médio em estoque).

Custo real por unidade

Custo real = Compra + Inbound + Embalagem + Etiquetagem + (Armazenagem ÷ giro anual) + (Perdas % × custo) + (Devolução % × custo de reversa) + (Custo financeiro % × custo médio em estoque)

Onde usar: Use este número como CMV na fórmula do preço de venda.

O custo financeiro do estoque é o juro sobre o capital parado. Se o produto fica 90 dias no CD e o custo de oportunidade é 1% ao mês, são 3% sobre o custo.

Exemplo

Custo real de um produto importado

Compra US$ 10 (R$ 50), inbound + imposto de importação R$ 18, embalagem R$ 2, etiquetagem R$ 0,50, armazenagem R$ 1/ mês (giro de 4× ao ano = R$ 3), perdas 2% (R$ 1), devolução 5% × R$ 4 de reversa = R$ 0,20, custo financeiro 1% a.m. × 2 meses = R$ 1,36. Custo real = 50 + 18 + 2 + 0,50 + 3 + 1 + 0,20 + 1,36 = R$ 76,06 — não R$ 50.
Cuidado

O custo do produto não é o preço da nota fiscal

Quem precifica pelo preço da nota fiscal do fornecedor ignora inbound, armazenagem, perdas e custo financeiro. A diferença entre o preço da nota e o custo real pode ser 30% a 60% — e é exatamente essa diferença que vira prejuízo silencioso.

Checklist prático de custo real

Levantamento do custo real — 8 verificações

  • 1.Anote o preço de compra ou o custo de fabricação por unidade.
  • 2.Some o inbound: frete do fornecedor, imposto de importação, taxa alfandegária.
  • 3.Some a embalagem de proteção e a etiquetagem por unidade.
  • 4.Estime a armazenagem mensal e divida pelo giro anual esperado.
  • 5.Aplique um percentual de perdas (roubo, avaria, validade) sobre o custo.
  • 6.Aplique um percentual de devoluções multiplicado pelo custo de logística reversa.
  • 7.Calcule o custo financeiro: juro sobre o valor médio em estoque pelo tempo médio parado.
  • 8.Some tudo — este é o CMV que entra na fórmula do preço de venda.

Armazenagem e custo financeiro do estoque

Armazenagem é custo que muitos vendedores só percebem quando o CD cobra. No fulfillment do marketplace (FBA, Full), a armazenagem é cobrada por unidade-dia ou por metro cúbico por mês; em CD próprio, é o aluguel dividido pelo volume útil. O erro comum é tratar armazenagem como custo fixo do período e não alocá-la por unidade — mas ela é proporcional ao tempo que o produto fica parado. Um produto que gira 12 vezes ao ano fica 30 dias no CD; um que gira 2 vezes fica 180 dias. O segundo paga 6× mais armazenagem por unidade vendida.

O custo financeiro do estoque é o juro sobre o capital parado. Se o vendedor tem R$ 50 mil em estoque que gira 4 vezes ao ano (90 dias de estoque médio), e o custo de oportunidade do capital é 1% ao mês, são 3% sobre R$ 50 mil = R$ 1.500 de custo financeiro que não aparece em nenhuma nota mas pesa no caixa. Em produtos de giro lento, esse custo pode ser maior que a margem — e o vendedor descobre que está financiando o estoque do marketplace com prejuízo.

Exemplo

Giro e custo financeiro

Produto A: custo R$ 50, giro 12× ao ano (30 dias de estoque), custo financeiro 1% a.m. → 1% sobre R$ 50 = R$ 0,50 por unidade. Produto B: mesmo custo, giro 2× ao ano (180 dias), custo financeiro → 6% sobre R$ 50 = R$ 3 por unidade. O produto B carrega R$ 2,50 a mais de custo financeiro por unidade — que precisa estar no preço ou vira margem negativa.

Para aprofundar o custo de importação (inbound, Remessa Conforme, II e ICMS), leia Remessa Conforme: como calcular o custo real da compra internacional e use a calculadora de Remessa Conforme. Para o custo financeiro do estoque parado, a calculadora de giro de estoque mostra quanto dinheiro fica imobilizado.

05

Tributos: imposto sobre faturamento sem aconselhamento contábil

Simples Nacional e alíquota efetiva como exemplo, com ressalvas.

Toda venda tem imposto. O problema é que não existe uma porcentagem universal: o tributo depende do regime (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real), da atividade, do estado, de substituição tributária, de DIFAL, de retenções e da reforma tributária em curso. Este guia não dá aconselhamento contábil — explica como considerar o imposto sobre o faturamento na fórmula do preço, usando o Simples Nacional como exemplo, e ressalva que a alíquota efetiva deve ser confirmada com o contador.

Simples Nacional e alíquota efetiva

O Simples Nacional é o regime mais comum de pequenos vendedores. Para comércio (Anexo I), a alíquota parte de 4% sobre a primeira faixa de receita e sobe em faixas até o teto. O detalhe que confunde é que a alíquota efetiva não é a alíquota nominal da faixa: ela é calculada sobre a receita bruta dos últimos 12 meses, e o valor a pagar é determinado pela aplicação da alíquota interna de cada faixa sobre a receita excedente, somada a um valor fixo. Por isso, dois vendedores no mesmo anexo pagam alíquotas efetivas diferentes conforme o faturamento.

Regra oficial

Alíquota efetiva do Simples (exemplo)

A alíquota efetiva do Simples Nacional varia conforme a receita bruta dos últimos 12 meses, o anexo e a faixa. Comércio está no Anexo I. Os valores exatos estão no Anexo I da Receita Federal. A alíquota efetiva não é uma porcentagem universal — confirme com seu contador.

Na prática da precificação, o que importa é a alíquota efetiva que você efetivamente paga sobre o faturamento. Se o contador confirma que sua alíquota efetiva é 6%, você usa 6% como "imposto sobre faturamento" na fórmula do preço de venda. Não use 4% (a primeira faixa nominal) se sua receita já passou dessa faixa — isso subestima o imposto e superestima a margem.

Substituição tributária, DIFAL e retenções

Alguns produtos têm substituição tributária de ICMS: o imposto é cobrado antecipadamente sobre uma cadeia, e o vendedor paga mesmo sem ter feito a venda final. O DIFAL (diferencial de alíquota) incide quando a venda é interestadual para não contribuinte. Retenções de IR, CSLL e PIS/COFINS podem incidir conforme o regime e o porte. Nenhum desses valores é uma porcentagem universal — eles dependem do produto, do estado de origem e destino e do regime.

Cuidado

Reforma tributária em curso

A reforma tributária brasileira (CBS, IBS, IS) altera a lógica de impostos sobre consumo. As regras estão em transição e os percentuais mudam ao longo dos anos. Não fixe uma alíquota no seu cálculo como se fosse permanente — revise com o contador a cada mudança legislativa.

Como o imposto entra na fórmula

O imposto sobre faturamento é um percentual sobre a venda — entra como custo variável na fórmula do preço de venda. Quanto maior a alíquota efetiva, maior o divisor que reduz o preço líquido. Por isso, dois vendedores do mesmo produto, no mesmo marketplace, com regimes tributários diferentes, têm preços mínimos diferentes — e o que tem alíquota efetiva menor consegue margem maior no mesmo preço.

Imposto como custo variável

Imposto por venda = Preço × alíquota efetiva

Onde usar: Entra na soma dos percentuais sobre a venda, junto com comissão, mídia e provisão de devoluções.

A alíquota efetiva é a que você efetivamente paga — não a nominal da faixa. Confirme com seu contador.

Substituição tributária e DIFAL na prática

A substituição tributária (ST) de ICMS incide em setores como autopeças, bebidas, medicamentos e perfumaria. Na ST, o imposto é cobrado antecipadamente de quem ocupa uma posição na cadeia — e o vendedor pode ter que recolher mesmo sem ser o fabricante. O efeito na precificação é direto: o imposto deixa de ser um percentual simples sobre a venda e passa a depender da operação. Se o produto está sujeito a ST, o vendedor precisa saber o valor da ST por unidade e incorporá-lo ao custo — não como percentual sobre a venda, mas como custo fixo por unidade.

O DIFAL (diferencial de alíquota) incide quando a venda é interestadual para não contribuinte. No Simples Nacional, a regra de DIFAL para não contribuintes tem cálculo específico e partilha da alíquota entre origem e destino. Para o vendedor de marketplace, que vende para todo o país, o DIFAL pode aparecer quando o comprador é pessoa física de outro estado. O ponto é: não assuma que o imposto é só a alíquota efetiva do Simples — pode haver DIFAL, ST e retenções adicionais conforme o produto e o destino.

Cuidado

Não confunda alíquota nominal com efetiva

A alíquota nominal da faixa do Simples não é o que você paga. A alíquota efetiva é calculada sobre a receita bruta dos últimos 12 meses e pode ser maior que a nominal da primeira faixa. Usar a nominal subestima o imposto e superestima a margem — o prejuízo aparece no fim do ano, quando o DAS vem maior que o previsto.

Para a alíquota efetiva do Simples Nacional de comércio, consulte o Anexo I da Receita Federal. Para a metodologia de cálculo de impostos sobre venda, use a calculadora de taxas de marketplace, que já inclui o campo de imposto sobre faturamento.

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Anatomia das tarifas de marketplace

Comissão, tarifa fixa, plano, parcelamento, logística, fulfillment, armazenagem, campanhas, cupons, afiliados, antecipação e chargeback.

A tarifa do marketplace não é uma linha só. Ela é um conjunto de componentes que entram em pontos diferentes da fórmula. Entender onde cada um entra é o que separa quem precifica de quem chuta preço. Esta seção decompõe as doze tarifas mais comuns e mostra o lugar de cada uma no cálculo.

Os doze componentes de tarifa e onde entram
ComponenteComo cobraOnde entra na fórmula
Comissão percentual% sobre o preço de vendaCusto variável (soma dos percentuais)
Tarifa fixa por vendaValor fixo por item vendidoCusto fixo por unidade
Plano (Clássico/Premium etc.)Muda a comissão e a tarifa fixaRedefine comissão e tarifa fixa
Parcelamento sem jurosTaxa adicional sobre parcelasCusto variável extra (se vendedor paga)
Logística do marketplaceTarifa por envio ou por peso cúbicoCusto fixo por unidade (frete)
Fulfillment (FBA, Full)Tarifa de manuseio + armazenagemCusto fixo por unidade + custo mensal
ArmazenagemPor unidade/dia ou m³/mêsCusto fixo alocado por unidade
Campanhas do marketplaceSubsídio ou taxa extra temporáriaCusto variável ou desconto no preço
Cupons do vendedorDesconto dado pelo vendedorReduz o preço de venda efetivo
Afiliados/creatorsComissão extra sobre a vendaCusto variável adicional
Antecipação de recebíveisTaxa sobre o valor antecipadoCusto financeiro do caixa
Chargeback/devoluçãoPerda do valor + custo de reversaProvisão de perdas (%)

Os valores exatos de cada componente variam por plataforma, categoria, plano e campanha. Os percentuais deste guia são hipóteses ilustrativas para simulação — confirme no painel oficial.

Comissão percentual e tarifa fixa

A comissão percentual é o componente mais visível — e o que os vendedores mais comparam. Mas a tarifa fixa por venda pode ser mais perigosa em produtos baratos: R$ 5 de tarifa fixa sobre uma venda de R$ 30 são 16,7% adicionais. Por isso, dois marketplaces com a mesma comissão percentual podem ter custos muito diferentes para produtos de ticket baixo.

Custo de canal por venda

Custo de canal = (Preço × comissão %) + tarifa fixa + logística + fulfillment + armazenagem alocada

Onde usar: Some ao custo monetário fixo por unidade e à soma dos percentuais sobre a venda.

Para produtos baratos, a tarifa fixa pesa mais que a comissão. Para produtos caros, a comissão pesa mais.

Parcelamento, antecipação e cupons

O parcelamento sem juros pode ser pago pelo marketplace ou pelo vendedor. Quando é o vendedor quem paga, a taxa de parcelamento entra como custo variável extra sobre o preço. A antecipação de recebíveis tem custo financeiro: receber em 1 dia em vez de 30 custa uma taxa sobre o valor. Cupons do vendedor reduzem o preço de venda efetivo — e reduzem o lucro, não o custo.

Cuidado

Cupom do vendedor não é marketing grátis

Dar um cupom de R$ 10 é reduzir o preço em R$ 10. Se a margem de contribuição era R$ 12, o cupom deixa R$ 2 de lucro. Cupom é desconto de preço, não custo de marketing — e entra como redução de receita, não como despesa de aquisição.

Afiliados e creators

Programas de afiliados (Shopee Affiliate, TikTok Shop creators) pagam uma comissão extra sobre a venda atribuída. Essa comissão é custo variável adicional: se o afiliado leva 10% e a comissão do canal é 14%, o custo total de canal sobre a venda é 24%. O vendedor decide se o volume extra do afiliado compensa a margem menor — e isso só se responde com a margem de contribuição, não com o faturamento.

Antecipação e o custo do recebimento

A antecipação de recebíveis é um custo financeiro que aparece como taxa sobre o valor antecipado. O marketplace paga a venda em D+30, mas oferece receber em D+1 mediante uma taxa. Essa taxa é custo — e entra na análise de rentabilidade do canal, não na fórmula do preço por unidade. O vendedor decide se antecipa conforme o custo de capital: se a taxa de antecipação é menor que o custo de oportunidade do dinheiro (juros do estoque, empréstimo), antecipar vale; se é maior, esperar vale.

Exemplo

Antecipação vs. custo de oportunidade

Venda de R$ 100, saque em D+30. Antecipação a 1,99% custa R$ 1,99. Se o vendedor financia estoque com empréstimo a 2,5% ao mês, antecipar (1,99%) é mais barato que financiar (2,5%) — vale antecipar. Se o vendedor tem caixa parado rendendo 1% ao mês, antecipar (1,99%) é mais caro que o rendimento — não vale.

Campanhas temporárias e cupom do vendedor

Campanhas do marketplace (Black Friday, Dia sem Juros, Mega Promoção) podem ter cupom compartilhado: o marketplace banca parte do desconto e o vendedor banca parte. O subsídio do marketplace reduz o preço para o cliente sem reduzir o recebimento do vendedor — é presente. Mas o cupom do vendedor reduz o preço e o lucro. Antes de aderir a uma campanha, separe o que é subsídio (presente) do que é desconto do vendedor (custo) e calcule o desconto máximo permitido. Uma campanha que parece vender mais pode estar comendo a margem sem o vendedor perceber — porque o cupom dele entrou no preço.

Para decompor as taxas de cada plataforma, leia Taxas de marketplaces em 2026 e use a calculadora de taxas de marketplace. Para o parcelamento, a calculadora de parcelamento com juros mostra o custo total das parcelas.

07

Mercado Livre: Clássico x Premium, categoria, faixa de preço e Full

Como decidir o plano e a logística sem prometer tarifa universal.

O Mercado Livre oferece modalidades de anúncio (Clássico e Premium) que mudam a comissão e a exposição. A escolha não é universal: depende da categoria, da faixa de preço, da margem e do objetivo de volume. Esta seção explica como decidir — sem prometer uma tarifa que vale para todo produto.

Clássico x Premium

O anúncio Clássico tem comissão menor e aparece em posição padrão; o Premium tem comissão maior e ganha melhor posicionamento na busca. A diferença de comissão é o preço que se paga por exposição. A decisão é econômica: se o aumento de conversão gerado pela melhor posição compensa o aumento de comissão, o Premium vale; senão, o Clássico é mais rentável. A resposta depende do produto, da concorrência e da margem — não existe regra universal.

Decisão

Quando o Premium compensa

O Premium compensa quando o ganho de conversão (vendas a mais) supera o custo extra da comissão. Simule com a calculadora Mercado Livre Clássico ou Premium: ela compara o líquido, o lucro e a margem dos dois planos lado a lado para o seu produto.

Categoria e faixa de preço

A comissão do Mercado Livre varia por categoria e, em alguns casos, por faixa de preço. A mesma plataforma cobra percentuais diferentes para eletrônicos, moda, casa e bebês. Por isso, copiar a comissão que um vendedor de outra categoria citou no YouTube leva a erro. A fonte correta é a central de aprendizagem do vendedor e a página de comissão por vender, que detalham os percentuais por categoria.

Regra oficial

Verificado em 5 de setembro de 2026

As tarifas do Mercado Livre variam por categoria, faixa de preço, plano (Clássico/Premium) e modalidade logística. Confirme os valores vigentes na central de aprendizagem do vendedor e na página de comissão por vender (atualizada em 27/08/2026).

Frete e Full

O Mercado Livre Full é o serviço de fulfillment: o vendedor envia o estoque ao CD do marketplace, que cuida de armazenagem, separação, envio e devolução. O Full tem custo de tarifa logística por unidade + armazenagem mensal + envio ao CD. A vantagem é exposição (selo Full, prazo) e menos trabalho operacional; o custo é a tarifa. A decisão é um ponto de equilíbrio de volume: acima de certo número de vendas, o Full compensa pelo ganho de conversão e economia de operação própria.

Para decidir Full vs. logística própria, leia Mercado Livre Full: custos, vantagens e ponto de equilíbrio e use a calculadora Mercado Livre Full. Para o lucro por venda no ML, a calculadora de lucro no Mercado Livre já desconta comissão, tarifa fixa e logística.

08

Shopee: estrutura variável e necessidade de confirmar no painel

Sem percentuais exatos sem fonte oficial acessível e vigente.

A Shopee tem estrutura de tarifas variável por programa, campanha, conta e categoria. Diferente de outras plataformas, a Shopee não publica uma tabela pública estável de comissões de vendedor que possa ser citada com fonte oficial acessível e vigente. Por isso, este guia não atribui percentuais exatos à Shopee — declara a limitação e direciona o vendedor ao painel e à central da conta, onde os valores aplicáveis à sua conta, categoria e campanha vigente aparecem.

Cuidado

Limitação declarada: Shopee

Não há, no momento desta revisão, uma página pública oficial da Shopee sobre taxas de vendedor que seja estável e citável. Os percentuais variam por programa (Shopee Mall, Shopee Affiliate), campanha vigente, categoria e tipo de conta. Não publique percentuais exatos sem fonte oficial acessível e vigente. Confirme no painel do vendedor (Seller Center) e na central de ajuda da sua conta.

O que é possível afirmar

É possível afirmar, sem fonte específica, que a Shopee cobra comissão sobre a venda, pode ter tarifa fixa por item em alguns programas, tem programas de frete subsidiado (Frete Fixo, Frete Grátis) que reduzem o custo visível ao cliente mas são pagos pelo vendedor, e tem campanhas temporárias (vouchers, cashback) que mudam o preço efetivo. Tudo isso entra na fórmula como custo variável (comissão) ou custo fixo por unidade (frete subsidiado) — mas os valores exatos só você vê no seu painel.

Decisão

Como simular a Shopee sem travar tarifa

Use o comparador de marketplaces deste guia (Embed B) com a comissão e a tarifa fixa que aparecem no seu painel da Shopee. Os campos são editáveis: troque os valores pela realidade da sua conta e categoria. O ranking mostra o lucro líquido com os seus números, não com uma tarifa fictícia travada.

Para o lucro por venda na Shopee com seus valores, use a calculadora de lucro na Shopee — os campos de comissão, tarifa fixa e frete são editáveis para refletir o que está no seu Seller Center. Para a decisão de qual marketplace é mais lucrativo, Como escolher o marketplace mais lucrativo compara os critérios além da comissão.

09

Amazon: planos, comissão por categoria, comissão mínima, FBA e FBM

Individual x Profissional, comissão mínima, DBA e logística própria.

A Amazon Brasil tem dois planos de venda: Individual (sem mensalidade, com tarifa por item vendido) e Profissional (com mensalidade, sem tarifa por item). A comissão varia por categoria e existe comissão mínima por item. Em alguns casos, a base de cálculo da comissão inclui preço + frete. Esta seção explica como decidir o plano e a logística (FBA ou FBM) sem transformar promoção temporária em regra permanente.

Individual x Profissional

O plano Individual cobra uma tarifa fixa por item vendido e não tem mensalidade — é para quem vende pouco. O plano Profissional cobra uma mensalidade e não cobra tarifa por item — é para quem vende volume suficiente para a mensalidade se pagar. O ponto de equilíbrio é simples: se o número de vendas mensais vezes a tarifa por item do plano Individual supera a mensalidade do Profissional, migre.

Regra oficial

Verificado em 5 de setembro de 2026

Planos, comissões por categoria, comissão mínima e base de cálculo da Amazon Brasil estão em venda.amazon.com.br/precos. A central de ajuda do vendedor está em venda.amazon.com.br/ajuda. Confirme os valores vigentes antes de precificar.

Comissão por categoria e comissão mínima

A comissão da Amazon é por categoria: eletrônicos, moda, casa, beleza e outras têm percentuais diferentes. Existe também uma comissão mínima por item — se o percentual aplicado ao preço fica abaixo do mínimo, cobra-se o mínimo. Isso muda a conta em produtos baratos: a comissão mínima pode representar um percentual efetivo bem maior que o nominal da categoria. Por isso, ao simular, use sempre o maior entre (preço × comissão %) e a comissão mínima.

FBA x FBM

FBA (Fulfillment by Amazon) é o serviço em que o vendedor envia o estoque ao CD da Amazon, que cuida de armazenagem, separação, envio, devolução e atendimento. FBM (Fulfillment by Merchant) é a logística própria do vendedor. O FBA tem custo de tarifa logística + armazenagem + envio ao CD; a vantagem é o selo Prime, que aumenta a conversão. O FBM tem custo operacional próprio; a vantagem é o controle e a margem maior por unidade (sem tarifa logística da Amazon).

Decisão

FBA ou FBM é decisão de volume e margem

O FBA compensa quando o ganho de conversão do selo Prime supera a tarifa logística + armazenagem. O FBM compensa quando a operação própria é barata e o volume não justifica o custo do FBA. Simule com a calculadora Amazon FBA e o comparativo FBA ou FBM. Para a decisão completa, leia Amazon FBA ou FBM: qual modelo logístico faz mais sentido?.

DBA: Delivery by Amazon

O DBA (Delivery by Amazon) é uma modalidade de logística em que o vendedor mantém o estoque na própria operação, embala o produto e imprime a etiqueta de envio — e a Amazon (ou transportadoras parceiras) faz a coleta e a entrega ao cliente. Existem modalidades de postagem (o vendedor leva o pacote a um ponto de coleta) e de coleta (a transportadora retira no endereço do vendedor), conforme a elegibilidade e o volume. A tarifa por unidade varia conforme o preço do produto, o peso ou peso cúbico e o estado de origem. Veja venda.amazon.com.br/cresca/dba.

A diferença entre DBA, FBA e FBM está em quem cuida do quê. No FBA, a Amazon cuida de armazenagem, separação, embalagem, envio e devolução — o vendedor só envia o estoque ao CD. No FBM, o vendedor cuida de tudo, inclusive da entrega. No DBA, o vendedor cuida da armazenagem, separação e embalagem; a Amazon cuida da coleta e da entrega. Por isso o DBA fica entre os dois: tem custo menor que o FBA (sem armazenagem no CD nem tarifa de picking da Amazon) e mais controle operacional que o FBM, mas não tem o selo Prime nem o SLA curto do FBA. A escolha entre os três depende de volume, margem, capacidade de operação própria e do ganho de conversão do selo Prime.

Para o lucro por venda na Amazon, use a calculadora Amazon, que já desconta comissão por categoria, comissão mínima, imposto e custos.

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TikTok Shop: a regra oficial vigente e o efeito do limiar de R$ 50

Regra a partir de 15/07/2026, comissão por faixa e incentivos temporários.

O TikTok Shop tem uma regra oficial de comissão vigente a partir de 15/07/2026 que muda conforme o preço após o desconto do vendedor ficar abaixo ou acima de R$ 50. Esta seção explica a regra, o efeito do limiar e por que incentivos temporários podem alterar a conta — sempre confirmando no painel.

Regra oficial

Verificado em 5 de setembro de 2026 — TikTok Shop

Segundo a fonte oficial do TikTok Shop Brasil: preço após desconto do vendedor abaixo de R$ 50 = comissão de 10% + R$ 4 por item; preço igual ou acima de R$ 50 = comissão de 6% + R$ 6 por item. Incentivos temporários podem alterar a conta. Confirme no painel oficial do vendedor.

O efeito do limiar de R$ 50

O limiar de R$ 50 cria uma descontinuidade importante. Um produto vendido a R$ 49,90 paga 10% + R$ 4 por item; o mesmo produto vendido a R$ 50,00 paga 6% + R$ 6 por item. A diferença não é trivial: sobre R$ 49,90, a comissão é R$ 4,99 + R$ 4 = R$ 8,99 (18% efetivo); sobre R$ 50,00, é R$ 3,00 + R$ 6 = R$ 9,00 (18% efetivo). Os percentuais efetivos ficam próximos nesse ponto, mas a estrutura muda — e para preços mais altos, a faixa de R$ 50+ (6% + R$ 6) fica mais vantajosa por unidade.

Exemplo

Comparação no limiar de R$ 50

Produto A: R$ 49,90 → comissão 10% (R$ 4,99) + R$ 4 = R$ 8,99 (18,0% efetivo). Produto B: R$ 50,00 → comissão 6% (R$ 3,00) + R$ 6 = R$ 9,00 (18,0% efetivo). Produto C: R$ 89,90 → comissão 6% (R$ 5,39) + R$ 6 = R$ 11,39 (12,7% efetivo). Para preços acima de R$ 50, a comissão efetiva cai — o limiar premia ticket maior.
Cuidado

Incentivos temporários podem mudar a conta

O TikTok Shop pode lançar incentivos temporários (isenção de tarifa fixa, comissão reduzida, frete subsidiado) que alteram a conta por um período. Não transforme incentivo temporário em regra permanente na sua precificação. Confirme no painel se a regra vigente é a padrão ou um incentivo.

Como a regra entra na fórmula

A comissão percentual entra como custo variável; a tarifa fixa por item (R$ 4 ou R$ 6) entra como custo fixo por unidade. Para o TikTok Shop, é preciso decidir a faixa pelo preço após desconto: se o preço com desconto fica abaixo de R$ 50, use 10% + R$ 4; se igual ou acima, use 6% + R$ 6. O comparador deste guia (Embed B) permite editar esses valores por canal.

Para aprofundar, leia TikTok Shop: como comissão e taxa por item afetam sua margem e Vender por R$ 49,90 ou R$ 50 no TikTok Shop muda a margem?. Para simular com seus números, use a calculadora TikTok Shop e a calculadora de lucro TikTok Shop.

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A fórmula central do preço de venda

Por que multiplicar o custo por 1,30 não gera margem de 30%.

Esta é a seção mais importante do guia. A fórmula central do preço de venda é o que separa precificação de chute. Ela parte de uma ideia: o preço precisa cobrir os custos monetários fixos por unidade e ainda sobrar a margem desejada depois de todos os percentuais que incidem sobre a venda. A fórmula resolve isso em uma divisão.

Fórmula central do preço de venda

Preço = Custos monetários fixos por unidade ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda − margem desejada)

Onde usar: Custos monetários fixos = custo do produto + tarifa fixa + frete do vendedor + embalagem. Percentuais sobre a venda = comissão + imposto + mídia + provisão de devoluções (em decimal).

O divisor (1 − soma − margem) é a fração do preço que sobra para cobrir os custos fixos. Se o divisor for ≤ 0, não existe preço que dê essa margem — é preciso reduzir percentuais ou margem.

Por que multiplicar por 1,30 não dá margem de 30%

Multiplicar o custo por 1,30 aplica um markup de 30% — que é margem sobre custo, não margem sobre venda. O preço fica 30% acima do custo, mas a margem sobre venda é 30/130 = 23,1%. Pior: esse cálculo ignora comissão, imposto, frete e mídia. Se a soma dos percentuais sobre a venda é 30% (comissão 14% + imposto 6% + mídia 8% + provisão 2%), então sobre um preço de R$ 130 (custo R$ 100 × 1,3) saem R$ 39 de percentuais — e o lucro é R$ 130 − R$ 100 − R$ 39 = −R$ 9. Prejuízo, apesar do "markup de 30%".

Exemplo

Markup de 30% que vira prejuízo

Custo R$ 100. Preço = 100 × 1,3 = R$ 130. Comissão 14% = R$ 18,20. Imposto 6% = R$ 7,80. Mídia 8% = R$ 10,40. Provisão 2% = R$ 2,60. Tarifa fixa R$ 5. Frete R$ 0. Embalagem R$ 3. Lucro = 130 − 100 − 18,20 − 7,80 − 10,40 − 2,60 − 5 − 0 − 3 = −R$ 17. O vendedor acha que tem 30% de margem e tem prejuízo.

Aplicando a fórmula central

Para o mesmo produto, com margem desejada de 10% sobre venda: custos fixos = 100 (produto) + 5 (tarifa) + 0 (frete) + 3 (embalagem) = R$ 108. Soma dos percentuais = 0,14 + 0,06 + 0,08 + 0,02 = 0,30. Divisor = 1 − 0,30 − 0,10 = 0,60. Preço = 108 / 0,60 = R$ 180. Conferindo: receita R$ 180, comissão R$ 25,20, imposto R$ 10,80, mídia R$ 14,40, provisão R$ 3,60, tarifa R$ 5, embalagem R$ 3, produto R$ 100. Total de saídas = 162. Lucro = 180 − 162 = R$ 18 = 10% de R$ 180. A fórmula fecha.

Fórmula inversa: lucro líquido e margem a partir do preço

A fórmula inversa parte de um preço já definido e calcula o lucro líquido e a margem. É útil para avaliar um preço herdado (de um concorrente, de uma campanha) ou testar sensibilidade. O lucro líquido é a receita menos todos os custos e percentuais; a margem é o lucro dividido pela receita.

Fórmula inversa de lucro líquido

Lucro líquido = Preço − (custo do produto + Preço × soma dos percentuais + tarifa fixa + frete + embalagem)

Margem líquida = Lucro líquido ÷ Preço. Use para conferir se um preço existente dá a margem desejada.

Para a calculadora completa de preço de venda, use a calculadora de preço de venda. Para aprofundar a fórmula, leia Como calcular preço de venda em marketplaces sem perder margem e Como calcular preço de venda de um produto (este último é o artigo geral de preço de venda).

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Preço mínimo, margem de segurança e desconto máximo

Fórmulas, promoções, cupons compartilhados, subsídio e ponto de equilíbrio.

Preço mínimo é o menor valor que cobre custos, percentuais sobre a venda e a margem-piso que o vendedor decidiu não cruzar. Desconto máximo é quanto o vendedor pode abaixar do preço atual sem ultrapassar esse piso. Esses dois números são a defesa do negócio contra promoções que parecem vender mais e lucram menos.

Preço mínimo

Preço mínimo = Custos monetários fixos por unidade ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda − margem-piso)

Onde usar: Margem-piso é a margem mínima que o vendedor aceita — não zero, porque zero não cobre custo fixo do período nem risco.

Se o divisor for ≤ 0, não existe preço que dê essa margem-piso com esses percentuais. Reduza comissão, mídia ou margem-piso.

Desconto máximo sobre o preço atual

Desconto máximo % = (Preço atual − Preço mínimo) ÷ Preço atual × 100

Onde usar: É o espaço de desconto antes de cruzar o prejuízo.

Se o preço atual já está abaixo do preço mínimo, qualquer desconto gera prejuízo — o alerta deve disparar.

Promoções, cupons compartilhados e subsídio

Promoções do marketplace (Black Friday, Dia das Mães) podem ter cupom compartilhado: o marketplace banca parte e o vendedor banca parte. O subsídio do marketplace reduz o preço para o cliente sem reduzir o recebimento do vendedor — é presente. Mas o cupom do vendedor reduz o preço e o lucro. Antes de aderir a uma campanha, separe o que é subsídio (presente) do que é desconto do vendedor (custo) e calcule o desconto máximo permitido.

Cuidado

Frete grátis e ponto de equilíbrio

Frete grátis é custo do vendedor. Ele só vale a pena se o aumento de conversão gerado compensa o custo do frete. Existe um ponto de equilíbrio: se a conversão com frete grátis for X% maior que sem, e o custo do frete é Y% do preço, o frete grátis compensa quando X > Y/(1 − Y). Use a calculadora de frete grátis para decidir.

Margem de segurança

A margem-piso não deve ser zero. Zero significa que o vendedor aceita vender sem lucro para cobrir custo fixo do período e risco — o que só faz sentido em liquidação de estoque. A margem de segurança típica cobre o custo fixo do período alocado por unidade, uma provisão para variação de câmbio/inbound e o risco de devolução. Definir a margem-piso é uma decisão estratégica, não um número universal.

Para aprofundar, leia Como calcular preço mínimo, margem e desconto máximo e use a calculadora de desconto máximo e a calculadora de preço mínimo no marketplace.

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Frete e logística: custo real, peso cúbico e fulfillment

Custo de separação, embalagem, devolução, SLA e matriz de decisão.

O frete é uma das saídas mais subestimadas. O vendedor vê o valor que o cliente paga e esquece o custo real: separação, embalagem, coleta, transporte, peso cúbico, devolução e SLA. Esta seção decompõe o custo real do frete e apresenta uma matriz de decisão entre fulfillment do marketplace e operação própria.

Custo real do frete

  • Separação: mão de obra/tempo de separação para encontrar o produto no CD e conferir.
  • Embalagem: caixa, plástico, fita, etiqueta de envio, amortecimento.
  • Coleta: se o marketplace não coleta, o vendedor paga transportadora.
  • Transporte: tarifa por peso ou peso cúbico — o peso cúbico castiga produtos volumosos e leves.
  • Devolução: logística reversa + perda de valor do produto devolvido.
  • SLA: prazo de entrega afeta conversão — prazo curto converte mais, mas custa mais.

Peso cúbico

O peso cúbico é calculado a partir do volume do pacote, não do peso real. Transportadoras usam um fator de conversão (ex.: peso cúbico = comprimento × largura × altura ÷ fator). O que vale é o maior entre peso real e peso cúbico. Por isso, um produto leve mas volumoso (almofada, plástico de bolha) paga frete de produto pesado — e a margem some se o vendedor não considerou o peso cúbico no custo.

Peso cúbico

Peso cúbico = (Comprimento × Largura × Altura) ÷ fator de conversão

Onde usar: O fator varia por transportadora. O frete cobra o maior entre peso real e peso cúbico.

Produtos volumosos e leves sofrem mais com o peso cúbico. Reduza o volume da embalagem para baixar o frete.

Fulfillment x operação própria: matriz de decisão

Matriz de decisão logística
CritérioFulfillment (FBA/Full)Operação própria (FBM)
Custo por unidadeTarifa logística + armazenagemCusto de separação + embalagem + transporte
Custo fixoEnvio ao CD + armazenagem mensalAluguel do CD + mão de obra
ConversãoMaior (selo, prazo curto)Depende do SLA atingido
Esforço operacionalBaixo (marketplace cuida)Alto (vendedor cuida)
Risco de devoluçãoMarketplace processaVendedor processa
Capital empatadoEstoque no CD do marketplaceEstoque no CD próprio
Ponto de equilíbrioCompensa em volume altoCompensa em volume baixo/médio

A decisão não é só custo: conversão, esforço e risco pesam. Simule com as calculadoras de Amazon FBA, FBA ou FBM e Mercado Livre Full.

Decisão

SLA e conversão

Prazo curto converte mais. O fulfillment do marketplace costuma oferecer SLA curto (1-2 dias), o que aumenta a conversão — mas cobra tarifa. A operação própria precisa atingir SLA competitivo para não perder conversão. Meça a conversão nos dois modelos antes de decidir.

SLA, conversão e o custo do prazo

O SLA (prazo de entrega) afeta a conversão de forma mensurável. Clientes compram mais quando o prazo é curto — e o fulfillment do marketplace costuma oferecer SLA de 1 a 2 dias, que é difícil de igualar com operação própria fora das capitais. O custo do SLA curto é a tarifa do fulfillment; o benefício é a conversão maior. A decisão não é só custo logístico: é custo logístico versus ganho de conversão. Se o fulfillment custa R$ 14 por unidade mas aumenta a conversão em 25%, e a margem de contribuição é R$ 40, o ganho de conversão (R$ 10 por venda a mais) quase paga a tarifa (R$ 14) — e o esforço operacional cai.

O contrário também vale: se a operação própria atinge SLA competitivo (2-3 dias) com custo baixo, o fulfillment não compensa. Por isso, a decisão logística deve ser testada, não assumida. Rode um teste A/B entre fulfillment e operação própria por 30 dias, meça a conversão e o lucro líquido real de cada modelo, e decida com os números — não com a intuição de que "selo vende mais".

Exemplo

Ponto de equilíbrio do fulfillment

Fulfillment custa R$ 14/unidade a mais que operação própria. Margem de contribuição R$ 40. Para o fulfillment compensar, o ganho de conversão precisa gerar R$ 14 a mais por venda. Se a conversão sobe de 2% para 2,7% (35% de aumento), cada 100 visitantes gera 0,7 venda a mais × R$ 40 = R$ 28 — compensa. Se sobe só para 2,3% (15%), gera R$ 12 — não compensa.

Para a decisão de frete grátis, a calculadora de frete grátis mostra o ponto de equilíbrio de conversão. Para o custo de logística reversa, reserve-o na provisão de devoluções da fórmula central.

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Mídia e aquisição: ACOS, TACOS, ROAS, CPA máximo e afiliados

Conectando publicidade à margem de contribuição.

Mídia é a saída que mais confunde. Vendedores aumentam o investimento em anúncios para "fazer volume" e descobrem que o lucro caiu. O erro é tratar ROAS como sinônimo de lucro. ROAS mede receita por real investido, mas não desconta custo do produto, comissão, imposto e frete. Uma campanha com ROAS de 4 pode dar prejuízo se a margem de contribuição for baixa. Esta seção conecta a mídia à margem de contribuição.

ACOS, TACOS e ROAS

ACOS, TACOS e ROAS

ACOS = Mídia ÷ Receita da campanha × 100 | TACOS = Mídia ÷ Receita total × 100 | ROAS = Receita da campanha ÷ Mídia

Onde usar: ACOS é o custo de mídia sobre a receita da campanha; TACOS é sobre a receita total; ROAS é o inverso do ACOS.

ACOS de 25% = ROAS de 4. Mas se a margem de contribuição é 20%, a campanha dá prejuízo: a mídia (25%) supera a margem (20%).

Cuidado

ROAS alto não é lucro

ROAS de 4 significa R$ 4 de receita por R$ 1 de mídia. Se a margem de contribuição é 20%, sobram R$ 0,80 por R$ 1 de mídia — prejuízo de R$ 0,20. O ROAS mínimo de equilíbrio é 1 ÷ margem de contribuição. Para 20%, o ROAS mínimo é 5.

CPA máximo

O CPA máximo é o quanto o vendedor pode pagar por aquisição (cliente ou venda) sem dar prejuízo. Ele é a margem de contribuição por venda — não a margem líquida, porque o CPA é custo variável que escala com a venda. Se a margem de contribuição é R$ 18, o CPA máximo é R$ 18; acima disso, cada cliente custa mais do que gera.

CPA máximo

CPA máximo = Margem de contribuição por venda = Preço − (custo do produto + Preço × soma dos percentuais variáveis)

Onde usar: É o teto de gasto por aquisição sem prejuízo.

Use a calculadora de CPA máximo para encontrar o teto de lance em anúncios.

Mídia do marketplace e afiliados

A mídia dentro do marketplace (Ads do ML, Shopee Ads, Sponsored Products da Amazon) compete com a mídia externa (Meta, Google, TikTok Ads). A diferença é que a mídia dentro do marketplace incide sobre a venda atribuída e tem efeito mais direto na conversão do canal; a mídia externa pode trazer tráfego para fora do marketplace. Afiliados (Shopee Affiliate, TikTok creators) são comissão extra sobre a venda — custo variável adicional que reduz a margem de contribuição.

Decisão

Conecte a mídia à margem, não ao faturamento

Antes de aumentar a verba de mídia, calcule o ROAS mínimo de equilíbrio (1 ÷ margem de contribuição). Se a campanha está abaixo do ROAS mínimo, aumentar verba aumenta prejuízo. Use a calculadora de ROAS e a calculadora de ROAS máximo no marketplace.

TACOS e a visão total da mídia

O TACOS (Total Advertising Cost of Sales) é a métrica que conecta a mídia ao negócio inteiro, não só à campanha. Ele é a mídia total dividida pela receita total — não só pela receita da campanha. Um TACOS de 10% significa que 10% de tudo o que a loja faturou foi gasto em anúncios. O TACOS é mais honesto que o ACOS porque mostra o peso real da mídia no faturamento. Se o ACOS de uma campanha é 15% mas o TACOS da loja é 25%, a mídia está comendo um quarto do faturamento — e se a margem de contribuição é 20%, a loja está no prejuízo.

A regra prática é: o TACOS não pode superar a margem de contribuição média da loja. Se a margem de contribuição média é 22% e o TACOS está em 25%, a loja perde dinheiro a cada venda impulsionada por mídia — mesmo que o faturamento cresça. Reduzir o TACOS (mídia mais eficiente, canais orgânicos, produtos com margem maior) é mais sustentável que aumentar a verba.

Exemplo

ACOS vs. TACOS

Loja com receita total R$ 100 mil, mídia total R$ 22 mil. TACOS = 22%. Uma campanha específica com receita R$ 30 mil e mídia R$ 6 mil tem ACOS = 20%. O ACOS parece saudável, mas o TACOS de 22% mostra que a loja inteira está no limite da margem de contribuição. Aumentar a verba dessa campanha pode derrubar o lucro da loja.

Para aprofundar, leia ROAS, ACOS e lucro: como saber se a mídia do marketplace compensa e use a calculadora de margem de contribuição para encontrar o ROAS mínimo de equilíbrio.

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Comparação entre canais: mesma mercadoria, quatro marketplaces

Parâmetros editáveis e critérios além da comissão.

A comparação entre canais não é só sobre comissão. Dois marketplaces com a mesma comissão podem ter lucro líquido diferente por causa da tarifa fixa, do frete, da armazenagem, do giro, da devolução e do capital empatado. Esta seção compara a mesma mercadoria em Mercado Livre, Shopee, Amazon e TikTok Shop com parâmetros editáveis — e lista os critérios que vão além da comissão.

Critérios além da comissão

Critérios de decisão entre canais
CritérioPor que importa
Lucro líquido por vendaO que realmente sobra — não a comissão
Margem líquidaSustenta desconto e mídia sem prejuízo
Lucro por pedidoConsidera tarifa fixa e frete por unidade
Giro (velocidade de venda)Canal que vende mais rápido paga mais custos fixos
DevoluçãoCanal com mais devolução exige preço maior
Capital empatadoEstoque parado no CD do canal custa juros
Esforço operacionalFulfillment reduz esforço, operação própria exige equipe
RiscoDependência de um canal concentra risco

O comparador deste guia (Embed B) ranqueia por lucro líquido e margem. A decisão final considera giro, esforço e risco — não só comissão.

Giro, capital empatado e esforço

O giro é a velocidade de venda. Um canal com comissão maior mas giro 3× mais rápido pode dar mais lucro no período que um canal com comissão menor e giro lento — porque o custo fixo do período se dilui em mais vendas. O capital empatado é o dinheiro preso em estoque no CD do canal: quanto mais lento o giro, mais capital parado, mais custo financeiro. O esforço operacional é o tempo de equipe gasto em cada canal: fulfillment reduz esforço, operação própria exige equipe.

Por isso, a comparação entre canais é multidimensional. O ranking por lucro líquido (Embed B) é o ponto de partida, mas a decisão final pondera giro, capital e esforço. Um canal que dá R$ 2 a menos de lucro por venda mas gira 2× mais rápido e exige metade do esforço pode ser a melhor escolha — porque no período gera mais lucro total com menos trabalho. O comparador mostra o lucro por venda; a leitura do giro e do esforço é do vendedor, que conhece a operação.

Exemplo

Giro compensando comissão maior

Canal A: lucro R$ 20/venda, giro 4× ao mês = R$ 80 de lucro/mês por SKU. Canal B: lucro R$ 16/venda, giro 8× ao mês = R$ 128 de lucro/mês por SKU. O canal B tem comissão maior (lucro menor por venda) mas gira o dobro — e gera 60% mais lucro no mês. A comissão menor do canal A não compensa o giro lento.
Decisão

Não venda em todos ao mesmo tempo sem margem

Estar em todos os marketplaces não é estratégia — é dispersão. Se um canal dá margem líquida negativa, sair dele libera estoque e esforço para o canal que lucra. Compare antes de espalhar.

Para a decisão completa, leia Como escolher o marketplace mais lucrativo para o seu produto e use a calculadora de qual marketplace é mais lucrativo e o comparador de marketplaces completo.

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Estudos de caso completos

Quatro produtos, números em reais e contas auditáveis.

Esta seção apresenta quatro estudos de caso com números em reais e contas auditáveis. Cada caso mostra premissas, cálculo, resultado, decisão, sensibilidade e o que mudaria a conclusão. As taxas usadas são hipóteses ilustrativas — confirmadas nos painéis oficiais, mudam os números, mas não o método.

Caso 1: produto barato abaixo de R$ 50 no TikTok Shop

Premissas

  • Custo do produto: R$ 18 (compra + inbound).
  • Embalagem: R$ 1,50. Tarifa fixa do canal: R$ 4 (faixa abaixo de R$ 50).
  • Comissão: 10% (faixa abaixo de R$ 50). Imposto: 6%. Mídia: 0%. Provisão de devoluções: 3%.
  • Preço de venda: R$ 49,90.

Cálculo

  • Receita: R$ 49,90.
  • Comissão 10%: R$ 4,99. Imposto 6%: R$ 2,99. Provisão 3%: R$ 1,50.
  • Tarifa fixa: R$ 4. Embalagem: R$ 1,50. Produto: R$ 18.
  • Total de saídas: 4,99 + 2,99 + 1,50 + 4 + 1,50 + 18 = R$ 32,98.
  • Lucro líquido: 49,90 − 32,98 = R$ 16,92.
  • Margem líquida: 16,92 ÷ 49,90 = 33,9%.

Resultado

  • Lucro líquido: R$ 16,92 por venda. Margem: 33,9%.

Decisão

O produto barato no TikTok Shop, na faixa abaixo de R$ 50, tem margem saudável porque o custo do produto é baixo e não há mídia. Vale vender — mas a tarifa fixa de R$ 4 pesa 8% do preço, então o giro precisa ser alto para compensar o esforço.

Sensibilidade

  • Se o preço subir para R$ 50,00 (faixa acima), a comissão cai para 6% (R$ 3) e a tarifa fixa sobe para R$ 6. Lucro: 50 − 3 − 3 − 1,50 − 6 − 1,50 − 18 = R$ 17,00. Margem: 34%. Praticamente igual — o limiar não muda muito neste ponto.
  • Se a mídia subir para 10%, o lucro cai para 49,90 − 4,99 − 2,99 − 1,50 − 4,99 − 4 − 1,50 − 18 = R$ 11,93. Margem: 23,9%. Ainda lucrativo, mas a mídia come 10 pontos de margem.

Caso 2: produto médio com frete subsidiado no Mercado Livre

Premissas

  • Custo do produto: R$ 60. Embalagem: R$ 3. Frete subsidiado pelo vendedor: R$ 12 (frete grátis).
  • Comissão ML: 14%. Tarifa fixa: R$ 5. Imposto: 6%. Mídia: 8%. Provisão: 2%.
  • Preço de venda: R$ 149,90.

Cálculo

  • Receita: R$ 149,90.
  • Comissão 14%: R$ 20,99. Imposto 6%: R$ 8,99. Mídia 8%: R$ 11,99. Provisão 2%: R$ 3,00.
  • Tarifa fixa: R$ 5. Frete: R$ 12. Embalagem: R$ 3. Produto: R$ 60.
  • Total de saídas: 20,99 + 8,99 + 11,99 + 3,00 + 5 + 12 + 3 + 60 = R$ 124,97.
  • Lucro líquido: 149,90 − 124,97 = R$ 24,93.
  • Margem líquida: 24,93 ÷ 149,90 = 16,6%.

Resultado

  • Lucro líquido: R$ 24,93 por venda. Margem: 16,6%.

Decisão

O frete grátis de R$ 12 pesa 8% do preço. Sem ele, a margem seria 24,6%. O frete grátis só compensa se aumentar a conversão em mais de ~10% — abaixo disso, é melhor cobrar frete e manter margem.

Sensibilidade

  • Sem frete grátis (frete R$ 0): lucro = 149,90 − 20,99 − 8,99 − 11,99 − 3 − 5 − 0 − 3 − 60 = R$ 36,93. Margem: 24,6%. Se a conversão com frete grátis não for 48% maior (36,93/24,93 − 1), o frete grátis destrói margem.
  • Se a comissão subir para 18% (Premium): lucro cai para 149,90 − 26,98 − 8,99 − 11,99 − 3 − 5 − 12 − 3 − 60 = R$ 18,94. Margem: 12,6%. O Premium só vale se a conversão compensar os 4 pontos de comissão.

Caso 3: produto com mídia no TikTok Shop (faixa acima de R$ 50)

Premissas

  • Custo do produto: R$ 45. Embalagem: R$ 2. Frete: R$ 0 (marketplace cuida).
  • Comissão TikTok Shop: 6% (faixa ≥ R$ 50). Tarifa fixa: R$ 6. Imposto: 6%. Mídia: 15%. Provisão: 4%.
  • Preço de venda: R$ 89,90.

Cálculo

  • Receita: R$ 89,90.
  • Comissão 6%: R$ 5,39. Imposto 6%: R$ 5,39. Mídia 15%: R$ 13,49. Provisão 4%: R$ 3,60.
  • Tarifa fixa: R$ 6. Embalagem: R$ 2. Produto: R$ 45.
  • Total de saídas: 5,39 + 5,39 + 13,49 + 3,60 + 6 + 2 + 45 = R$ 80,87.
  • Lucro líquido: 89,90 − 80,87 = R$ 9,03.
  • Margem líquida: 9,03 ÷ 89,90 = 10,0%.

Resultado

  • Lucro líquido: R$ 9,03 por venda. Margem: 10,0%.

Decisão

A mídia de 15% come 15 pontos de margem. O ROAS da campanha é 1/0,15 = 6,67 — abaixo disso, prejuízo. Se a campanha está com ROAS 5, a mídia de 15% dá prejuízo. Reduzir a mídia para 8% sobe a margem para 17%.

Sensibilidade

  • Mídia 8%: lucro = 89,90 − 5,39 − 5,39 − 7,19 − 3,60 − 6 − 2 − 45 = R$ 15,33. Margem: 17%. ROAS mínimo cai para 12,5 — campanha com ROAS 8 já lucra.
  • Se a comissão subir para 10% (faixa abaixo de R$ 50, preço R$ 49,90): lucro = 49,90 − 4,99 − 2,99 − 7,49 − 1,50 − 4 − 2 − 45 = −R$ 18,07. Prejuízo. O produto não sobrevive abaixo de R$ 50 com esse custo e essa mídia.

Caso 4: produto em fulfillment (Amazon FBA)

Premissas

  • Custo do produto: R$ 80. Embalagem: R$ 2 (já no CD).
  • Tarifa logística FBA: R$ 14. Armazenagem alocada: R$ 3/unidade. Envio ao CD: R$ 2/unidade alocado.
  • Comissão Amazon: 15% (categoria). Comissão mínima: não aplicável (preço alto). Imposto: 6%. Mídia: 5%. Provisão: 3%.
  • Preço de venda: R$ 199,90.

Cálculo

  • Receita: R$ 199,90.
  • Comissão 15%: R$ 29,99. Imposto 6%: R$ 11,99. Mídia 5%: R$ 10,00. Provisão 3%: R$ 6,00.
  • Tarifa logística FBA: R$ 14. Armazenagem: R$ 3. Envio ao CD: R$ 2. Embalagem: R$ 2. Produto: R$ 80.
  • Total de saídas: 29,99 + 11,99 + 10,00 + 6,00 + 14 + 3 + 2 + 2 + 80 = R$ 158,98.
  • Lucro líquido: 199,90 − 158,98 = R$ 40,92.
  • Margem líquida: 40,92 ÷ 199,90 = 20,5%.

Resultado

  • Lucro líquido: R$ 40,92 por venda. Margem: 20,5%.

Decisão

O FBA custa R$ 19 por unidade (tarifa + armazenagem + envio ao CD), mas o selo Prime tende a aumentar a conversão. Se a conversão com Prime for 20% maior que FBM, o FBA compensa. Sem o ganho de conversão, o FBM (sem tarifa logística) daria margem maior.

Sensibilidade

  • Sem FBA (FBM, sem tarifa logística e armazenagem, mas com custo operacional próprio de R$ 8): lucro = 199,90 − 29,99 − 11,99 − 10 − 6 − 0 − 0 − 0 − 2 − 8 − 80 = R$ 51,92. Margem: 26%. O FBM dá margem maior — mas só vence se a operação própria atingir SLA competitivo sem perder conversão.
  • Se a armazenagem subir para R$ 8 (estoque parado 4 meses): lucro cai para R$ 35,92. Margem: 18%. O giro importa — estoque parado no FBA custa caro.
Cuidado

As taxas são hipóteses ilustrativas

Os percentuais de comissão, tarifa fixa e logística usados nos casos são hipóteses para mostrar o método. Confirme os valores vigentes nos painéis oficiais de cada plataforma antes de decidir. O método (fórmula central + margem de contribuição) não muda — só os números.
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Plano de implementação em 7 dias

Inventário, validação, preço mínimo, teste de canal, desconto, rotina e revisão.

Saber a fórmula não basta — é preciso transformar em rotina. Este plano de 7 dias leva o vendedor do diagnóstico à rotina mensal de revisão de preços. Cada dia tem uma tarefa específica e verificável.

Os 7 dias

  1. Dia 1 — Inventário de custos: liste todos os produtos e levante o custo real (compra, inbound, embalagem, armazenagem, perdas, custo financeiro).
  2. Dia 2 — Validação do painel: abra o Seller Center de cada marketplace e anote a comissão, tarifa fixa e logística vigentes por categoria.
  3. Dia 3 — Preço mínimo: para cada produto, calcule o preço mínimo com a margem-piso definida (use o Embed C deste guia).
  4. Dia 4 — Teste de canal: rode o comparador (Embed B) com a mesma base de produto em cada marketplace e identifique o canal de maior margem líquida.
  5. Dia 5 — Política de desconto: defina o desconto máximo por produto e escreva a regra de cupom (quando o vendedor banca, quando o marketplace subsídia).
  6. Dia 6 — Rotina semanal: crie um check semanal de conversão, ROAS e devolução por canal; ajuste mídia pelo ROAS mínimo de equilíbrio.
  7. Dia 7 — Revisão mensal: refaça o custo real, confirme as taxas dos painéis e recalcule o preço mínimo de cada produto.

Checklist final

Checklist final de precificação — 12 verificações

  • 1.Custo real de cada produto levantado (não só o preço da nota).
  • 2.Alíquota efetiva do imposto confirmada com o contador.
  • 3.Comissão, tarifa fixa e logística de cada marketplace confirmados no painel.
  • 4.Preço mínimo calculado para cada produto com margem-piso definida.
  • 5.Desconto máximo por produto definido e respeitado.
  • 6.ROAS mínimo de equilíbrio calculado para cada campanha de mídia.
  • 7.Comparador de canais rodado com os números reais do negócio.
  • 8.Provisão de devoluções e perdas incorporada ao preço.
  • 9.Custo financeiro do estoque considerado no CMV.
  • 10.Política de cupom escrita (subsídio vs. desconto do vendedor).
  • 11.Rotina semanal de conversão/ROAS/devolução criada.
  • 12.Revisão mensal de custo e taxas agendada.

Glossário curto

Os nove conceitos deste guia, em uma linha cada: receita (o que o cliente paga); lucro bruto (receita menos CMV); margem de contribuição (receita menos custos variáveis); lucro líquido (receita menos tudo); markup (multiplicador sobre custo); margem sobre venda (lucro líquido sobre preço); CMV (custo do produto vendido); custo fixo (não varia com volume); custo variável (escala com a venda).

FAQ editorial

As 12 perguntas mais frequentes sobre precificação em marketplaces estão respondidas no FAQ deste guia (ver seção de perguntas frequentes abaixo). Cada resposta é curta e direta, com remissão ao trecho do guia que aprofunda o tema.

Atualização

Aviso final

Este é conteúdo educacional. Confirme sempre as taxas no painel da plataforma e as decisões tributárias com seu contador. As regras dos marketplaces mudam — o método de precificação não. Revise mensalmente.
Próximo passo recomendado

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Perguntas frequentes

Precificar por faturamento é errado?

Faturamento é só a receita. Uma venda de R$ 100 com R$ 92 de custos e taxas gera R$ 8 de lucro. Decidir pelo faturamento esconde o quanto realmente sobra. O correto é decidir pelo lucro líquido e pela margem.

Existe uma comissão universal dos marketplaces?

Não. A comissão varia por plataforma, categoria, plano, faixa de preço, programa de logística e campanha vigente. Os valores deste guia são hipóteses ilustrativas para simulação; sempre confirme no painel oficial do vendedor.

Multiplicar o custo por 1,3 dá margem de 30%?

Não. Multiplicar o custo por 1,3 gera markup de 30%, que é uma margem sobre custo — diferente de margem sobre venda. Se o preço é 1,3× o custo, a margem sobre venda é 30/130 = 23,1%. Para margem de 30% sobre venda, divida o custo por (1 − 0,30).

Como o frete grátis entra no cálculo?

O frete grátis é um custo do vendedor. Ele não some porque o cliente não paga — alguém paga. Se o vendedor subsidia o frete, o valor entra como custo fixo por unidade na fórmula do preço de venda.

O que é margem de contribuição e por que importa?

Margem de contribuição é o que sobra da venda depois dos custos variáveis (comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções). É o valor que ajuda a cobrir os custos fixos do negócio e gerar lucro. Uma venda com margem de contribuição negativa destrói caixa, mesmo que fature.

Como defino o preço mínimo?

Preço mínimo = custos monetários fixos por unidade ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda − margem-piso). É o menor preço que cobre custos, taxas e a margem-piso desejada. Abaixo disso, qualquer desconto gera prejuízo.

Qual a regra do TikTok Shop a partir de 15/07/2026?

Segundo a fonte oficial: preço após desconto do vendedor abaixo de R$ 50 = comissão de 10% + R$ 4 por item; preço igual ou acima de R$ 50 = comissão de 6% + R$ 6 por item. Incentivos temporários podem alterar a conta — confirme no painel.

ROAS alto significa que estou lucrando?

Não necessariamente. ROAS mede receita por real investido em mídia, mas não desconta custo do produto, comissão, imposto, frete e embalagem. Uma campanha com ROAS de 4 pode dar prejuízo se a margem de contribuição for baixa. Conecte a mídia à margem de contribuição, não ao faturamento.

Simples Nacional tem uma alíquota única?

Não. O Simples Nacional tem alíquota efetiva que varia conforme a receita bruta dos últimos 12 meses, o anexo, a faixa e a atividade. Comércio está no Anexo I. A alíquota não é uma porcentagem universal — confirme com seu contador.

Vale a pena vender em todos os marketplaces ao mesmo tempo?

Depende da margem líquida, do giro, do capital empatado, do esforço operacional e do risco de devolução por canal. O comparador deste guia mostra o ranking por lucro líquido; a decisão final considera volume, esforço e risco, não só comissão.

Com que frequência devo revisar os preços?

No mínimo uma vez por mês, e sempre que houver mudança de comissão, plano, campanha, custo de produto, frete ou tributo. O plano de 7 dias deste guia cria uma rotina semanal de conferência e uma revisão mensal completa.

Este guia dá aconselhamento contábil?

Não. O guia é conteúdo educacional. Questões tributárias (regime, alíquota, substituição tributária, DIFAL, retenções, reforma tributária) devem ser confirmadas com seu contador. Confirme sempre as taxas no painel da plataforma.

Glossário

Receita
Valor que o cliente paga pelo produto (faturamento bruto da venda).
Lucro bruto
Receita menos o custo do produto (CMV). Ainda não desconta taxas, frete, imposto e mídia.
Margem de contribuição
Receita menos os custos variáveis (comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções). O que sobra para cobrir custos fixos e gerar lucro.
Lucro líquido
Receita menos todos os custos e taxas da venda (produto, comissão, tarifa fixa, imposto, frete, embalagem, mídia, provisão).
Markup
Multiplicador aplicado ao custo. Markup de 1,3 gera preço 30% acima do custo (margem sobre custo).
Margem sobre venda
Lucro líquido dividido pelo preço. É a margem que importa para a decisão comercial.
CMV
Custo da mercadoria vendida — o custo direto do produto que foi vendido.
Custo fixo
Custo que não varia com a quantidade vendida (ex.: aluguel, software). Por unidade, diminui conforme o volume sobe.
Custo variável
Custo que escala com a venda (ex.: comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções).

Revisão editorial

Status

Revisado

Responsável

Equipe Calcula Melhor

Última revisão

5 de setembro de 2026

Conteúdo educacional. Confirme as taxas no painel da plataforma e as decisões tributárias com seu contador. Os percentuais de comissão citados são hipóteses ilustrativas para simulação — sempre confirme os valores vigentes no painel do vendedor.

Histórico de atualizações

  • 2026-09-05 — Publicação inicial do guia com 17 seções, 3 calculadoras incorporadas, 4 estudos de caso e fontes oficiais de Mercado Livre, Amazon, TikTok Shop, Receita e Sebrae.