Guia completo de precificação em marketplaces: do custo ao lucro líquido
Aprenda a formar preço, entender todas as saídas de dinheiro, comparar canais, definir preço mínimo e desconto máximo e decidir com margem — não por faturamento.

Diagnóstico inicial: por que faturamento alto pode esconder prejuízo
Os cinco erros mais comuns e o que você vai decidir ao final.
Existe uma frase que vendedores de marketplace repetem com orgulho: "este mês faturei R$ 80 mil". O problema é que faturamento é só a linha de cima da conta. Entre a venda e o que sobra no banco passam comissões, tarifas fixas, impostos, frete, embalagem, mídia, devoluções, antecipações e chargebacks. Um vendedor que fatura R$ 80 mil e fica com R$ 2 mil de lucro trabalhou dois meses para o marketplace, para o transportador e para a Receita — não para si. A pergunta certa não é "quanto faturei?", mas "quanto sobrou de cada venda depois de todas as saídas?".
Este guia parte de um princípio simples: decidir com margem, não por faturamento. Margem é o percentual do preço que sobra como lucro líquido após todos os custos e taxas. Faturamento sem margem é volume de trabalho sem retorno. Um produto que vende mil unidades a R$ 30 com 2% de margem gera R$ 600 de lucro; outro que vende cem unidades a R$ 90 com 18% de margem gera R$ 1.620. O segundo negócio é menor, mais simples e mais rentável — e é o que sobrevive quando a plataforma muda as regras.
Os cinco erros mais comuns de precificação
- Multiplicar o custo por um fator arbitrário (1,3, 1,5, 2) e chamar o resultado de margem — sem descontar comissão, imposto, frete e mídia.
- Confundir markup com margem sobre venda e prometer ao sócio uma margem que nunca existe no papel.
- Definir preço copiando o concorrente sem conhecer o próprio custo — o concorrente pode ter escala, fornecedor ou regime tributário diferente.
- Oferecer frete grátis sem incorporar o custo do frete no preço — o frete grátis não é grátis, alguém paga.
- Aumentar a mídia para "fazer volume" sem conectar o gasto à margem de contribuição — ROAS alto não é sinônimo de lucro.
Cada um desses erros tem uma causa comum: o vendedor enxerga a venda, mas não enxerga as saídas. A precificação correta inverte a ordem: primeiro mapeia todas as saídas, depois define o preço que deixa a margem desejada. É o que este guia ensina, passo a passo, com fórmulas, exemplos, tabelas e calculadoras incorporadas.
O que você vai decidir ao final
Vale um exercício mental que ajuda a fixar a diferença entre faturamento e lucro. Imagine dois vendedores do mesmo produto, mesmo preço, mesmo marketplace. O vendedor A compra do fornecedor por R$ 50, não investe em mídia e subsidia R$ 5 de frete. O vendedor B compra do mesmo fornecedor por R$ 45 (negociou volume), investe 6% em mídia e não subsidia frete. Os dois faturam R$ 100 por venda. Mas o vendedor A fica com R$ 100 − 50 − 14 (comissão) − 6 (imposto) − 5 (frete) − 3 (embalagem) = R$ 22 de lucro. O vendedor B fica com R$ 100 − 45 − 14 − 6 − 6 (mídia) − 3 = R$ 26. O vendedor B fatura o mesmo e lucra 18% a mais — porque enxergou as saídas que o A ignorou. Faturamento igual, lucro diferente. É isso que separa quem decide por margem de quem decide por faturamento.
Outro ponto que costuma surpreender: o vendedor que mais fatura nem sempre é o que mais lucra, e o que mais lucra nem sempre é o que mais vende. Uma loja com 200 SKUs de ticket baixo e margem de 4% pode faturar R$ 200 mil e lucrar R$ 8 mil. Uma loja com 30 SKUs de ticket médio e margem de 18% pode faturar R$ 80 mil e lucrar R$ 14,4 mil. A segunda loja trabalha menos, tem menos estoque, menos devolução e menos risco — e lucra mais. Crescer por faturamento sem margem é construir uma máquina de trabalhar de graça; crescer por margem é construir uma máquina de lucrar.
Se você já tem produto cadastrado, abra agora a calculadora de lucro no marketplace e simule uma venda real. Os números que aparecerem vão orientar a leitura de cada seção a seguir. Se ainda não vendeu nada, siga o guia na ordem: ele foi construído como uma jornada, do diagnóstico até o plano de implementação.
O mapa completo da precificação
As dez saídas que toda venda em marketplace tem.
Antes de qualquer fórmula, é preciso enxergar o mapa inteiro. Toda venda em marketplace tem, no mínimo, dez saídas de dinheiro. Ignorar uma delas é o caminho mais rápido para o prejuízo silencioso — aquele em que a conta bancária cresce menos que o esforço. O mapa abaixo é a base de tudo o que vem depois: cada seção deste guia aprofunda uma ou mais dessas saídas.
| Saída | O que é | Quando entra no cálculo |
|---|---|---|
| Aquisição | Custo de trazer o cliente (anúncios, afiliados) | Sempre que há mídia paga ou comissão de afiliado |
| Custo posto | Compra ou fabricação do produto + inbound até o CD | Em toda venda — é o CMV |
| Operação | Embalagem, etiquetagem, separação, conferência | Por unidade vendida |
| Canal | Comissão percentual + tarifa fixa do marketplace | Em toda venda — varia por plataforma e categoria |
| Tributos | Imposto sobre faturamento (Simples, Lucro Presumido etc.) | Sobre a receita — varia por regime |
| Logística | Frete subsidiado, coleta, devolução, armazenagem | Quando o vendedor paga parte ou todo o frete |
| Mídia | Anúncios dentro e fora do marketplace | Quando há investimento em aquisição |
| Perdas | Devoluções, chargeback, roubo, avaria, quebra | Provisão percentual sobre a venda |
| Margem | O lucro líquido desejado | É o que sobra — o objetivo da precificação |
| Caixa | Antecipação de recebíveis, prazo de saque | Custo financeiro do dinheiro parado |
O caixa não é uma saída direta por venda, mas o prazo de recebimento e a antecipação têm custo financeiro real e entram na análise de rentabilidade do canal.
A ordem do mapa não é aleatória: ela segue o fluxo do dinheiro. Primeiro você gasta para trazer o cliente (aquisição), depois entrega o produto (custo posto e operação), o canal cobra a comissão (canal), o governo cobra o imposto (tributos), a transportadora cobra o frete (logística), você investe em anúncios (mídia), uma parte das vendas volta (perdas) e, por fim, sobra a margem. O caixa fecha a conta porque o prazo entre vender e receber tem custo.
A saída mais escondida: perdas
Caixa e o custo do tempo
A décima saída — o caixa — merece atenção especial porque é invisível. O marketplace não paga a venda na hora: há um prazo entre a confirmação da venda e a liberação do saque, e esse prazo pode ser de dias ou semanas. Se o vendedor precisa do dinheiro para repor estoque, paga antecipação; se não paga antecipação, financia o estoque com capital próprio ou empréstimo — e ambos têm custo. O custo financeiro do prazo de recebimento é real, mesmo que não apareça como linha na nota.
Custo do prazo de recebimento
Por isso, ao comparar canais, o prazo de recebimento é um critério — não só a comissão. Um marketplace com comissão 1 ponto menor mas prazo de saque de 45 dias pode ser pior que outro com comissão 1 ponto maior e saque em 7 dias, dependendo do custo de capital do vendedor. Use a calculadora de taxa de antecipação para medir o custo do prazo.
Cada uma dessas saídas tem uma seção dedicada adiante. O importante agora é gravar o mapa: se você não consegue nomear as dez saídas de uma venda, não consegue precificar. Para aprofundar a visão geral, leia Quanto realmente sobra de uma venda no marketplace? — o artigo que decompõe uma venda típica linha por linha.
Material gratuito
Checklist dos 17 custos que podem destruir sua margem
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Conceitos que não podem ser confundidos
Receita, lucro bruto, margem de contribuição, lucro líquido, markup, margem sobre venda, CMV, custo fixo e variável.
A maior parte dos erros de precificação nasce de confusão conceitual. Vendedor que mistura markup com margem, ou lucro bruto com lucro líquido, promete margem que não existe e se frustra no fim do mês. Esta seção separa, com fórmulas e mini-exemplos, os nove conceitos que não podem ser confundidos.
Receita, lucro bruto e CMV
Receita é o que o cliente paga. CMV (custo da mercadoria vendida) é o custo direto do produto. Lucro bruto é a receita menos o CMV. O lucro bruto ainda não desconta comissão, frete, imposto, mídia ou embalagem — é só a primeira subtração.
Lucro bruto
Lucro bruto = Receita − CMV
Onde usar: Logo após a venda, antes de qualquer taxa ou custo operacional.
Lucro bruto positivo não garante lucro líquido. Uma venda com lucro bruto de R$ 40 pode virar prejuízo após R$ 45 de taxas e custos.
Mini-exemplo de lucro bruto
Margem de contribuição e lucro líquido
Margem de contribuição é a receita menos os custos variáveis — aqueles que escalam com a venda: comissão, imposto, mídia e provisão de devoluções. É o valor que cada venda gera para cobrir os custos fixos do negócio e formar lucro. Lucro líquido é a receita menos tudo: custos variáveis, custos fixos por unidade (produto, tarifa fixa, frete, embalagem) e a provisão de perdas.
Margem de contribuição
Margem de contribuição = Receita − Custos variáveis
Onde usar: Custos variáveis = comissão + imposto + mídia + provisão de devoluções.
Se a margem de contribuição for negativa, cada venda destrói caixa — não existe volume que salve esse negócio.
Lucro líquido
Lucro líquido = Receita − (CMV + comissão + tarifa fixa + imposto + frete + embalagem + mídia + provisão de perdas)
Onde usar: É o número que importa para a decisão comercial.
Margem líquida = Lucro líquido ÷ Receita. É a margem sobre venda, não o markup.
Markup e margem sobre venda
Markup é o multiplicador aplicado ao custo. Margem sobre venda é o percentual do preço que sobra como lucro. Os dois não são iguais e confundi-los é o erro mais caro da precificação. Multiplicar o custo por 1,3 gera markup de 30% (margem sobre custo), mas a margem sobre venda é 30/130 = 23,1%. Para obter 30% de margem sobre venda, divide-se o custo por (1 − 0,30) = 0,70, o que dá um preço de 1,4286× o custo.
Markup vs. margem sobre venda
Margem sobre venda = Markup / (1 + Markup) | Markup = Margem sobre venda / (1 − Margem sobre venda)
Onde usar: Use markup quando parte do custo; use margem sobre venda quando parte do preço.
Para 30% de margem sobre venda, o markup é 0,30/0,70 = 0,4286, ou seja, preço = custo × 1,4286. Use a calculadora de markup para converter entre os dois.
Markup de 30% não é margem de 30%
Custo fixo e custo variável
Custo fixo não varia com a quantidade vendida (aluguel, software, salário). Por unidade, ele diminui conforme o volume sobe. Custo variável escala com a venda (comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções). A distinção importa porque a margem de contribuição só cobre custos fixos se for positiva — e o ponto de equilíbrio é onde a margem de contribuição total iguala o custo fixo do período.
Ponto de equilíbrio
Ponto de equilíbrio (unidades) = Custo fixo do período ÷ Margem de contribuição por unidade
Onde usar: Volume mínimo de vendas para não ter prejuízo no período.
Use a calculadora de ponto de equilíbrio para encontrar o volume que cobre seus custos fixos.
Margem de contribuição na prática
A margem de contribuição é o conceito que mais muda a forma de pensar mídia e desconto. Ela responde a uma pergunta precisa: quanto cada venda adicional gera, depois dos custos que escalam com ela? Se a resposta é positiva, vender mais ajuda; se é negativa, vender mais destrói caixa. É por isso que uma campanha de mídia pode aumentar o faturamento e diminuir o lucro: se o custo da mídia supera a margem de contribuição, cada venda extra traz prejuízo.
Margem de contribuição e mídia
Esse número — o ROAS mínimo de equilíbrio — é o que separa uma campanha que lucra de uma que queima dinheiro. Ele é o inverso da margem de contribuição. Para 38%, o ROAS mínimo é 2,63; para 20%, é 5; para 10%, é 10. Quanto menor a margem de contribuição, mais alto o ROAS que a campanha precisa bater — e mais fácil é o vendedor se iludir com ROAS aparentemente bom.
Nunca prometa margem sem especificar a base
Levantamento do custo real do produto
Compra, fabricação, embalagem, inbound, armazenagem, perdas, devoluções e custo financeiro do estoque.
O custo do produto não é só o preço de compra. Entre o fornecedor e a prateleira do CD, somam-se inbound (frete do fornecedor até o armazém), armazenagem, perdas, devoluções e o custo financeiro do dinheiro parado em estoque. Ignorar esses componentes é subestimar o CMV — e subestimar o CMV é precificar abaixo do real, vendendo com margem aparente que não existe.
Componentes do custo real
- Compra ou fabricação: o valor pago ao fornecedor ou o custo de produção direta.
- Inbound: frete, imposto de importação e taxas alfandegárias do fornecedor até o CD.
- Embalagem de proteção: caixa externa, plástico, fita, amortecimento.
- Etiquetagem: etiqueta do marketplace, código de barras, lacre.
- Armazenagem: custo mensal do metro quadrado ou da unidade armazenada (FBA, Full, CD próprio).
- Perdas: roubo, avaria, validade, quebra no manuseio.
- Devoluções: custo de logística reversa + perda de valor do produto devolvido.
- Custo financeiro do estoque: custo de oportunidade do capital parado (juros sobre o valor médio em estoque).
Custo real por unidade
Custo real = Compra + Inbound + Embalagem + Etiquetagem + (Armazenagem ÷ giro anual) + (Perdas % × custo) + (Devolução % × custo de reversa) + (Custo financeiro % × custo médio em estoque)
Onde usar: Use este número como CMV na fórmula do preço de venda.
O custo financeiro do estoque é o juro sobre o capital parado. Se o produto fica 90 dias no CD e o custo de oportunidade é 1% ao mês, são 3% sobre o custo.
Custo real de um produto importado
O custo do produto não é o preço da nota fiscal
Checklist prático de custo real
Levantamento do custo real — 8 verificações
- 1.Anote o preço de compra ou o custo de fabricação por unidade.
- 2.Some o inbound: frete do fornecedor, imposto de importação, taxa alfandegária.
- 3.Some a embalagem de proteção e a etiquetagem por unidade.
- 4.Estime a armazenagem mensal e divida pelo giro anual esperado.
- 5.Aplique um percentual de perdas (roubo, avaria, validade) sobre o custo.
- 6.Aplique um percentual de devoluções multiplicado pelo custo de logística reversa.
- 7.Calcule o custo financeiro: juro sobre o valor médio em estoque pelo tempo médio parado.
- 8.Some tudo — este é o CMV que entra na fórmula do preço de venda.
Armazenagem e custo financeiro do estoque
Armazenagem é custo que muitos vendedores só percebem quando o CD cobra. No fulfillment do marketplace (FBA, Full), a armazenagem é cobrada por unidade-dia ou por metro cúbico por mês; em CD próprio, é o aluguel dividido pelo volume útil. O erro comum é tratar armazenagem como custo fixo do período e não alocá-la por unidade — mas ela é proporcional ao tempo que o produto fica parado. Um produto que gira 12 vezes ao ano fica 30 dias no CD; um que gira 2 vezes fica 180 dias. O segundo paga 6× mais armazenagem por unidade vendida.
O custo financeiro do estoque é o juro sobre o capital parado. Se o vendedor tem R$ 50 mil em estoque que gira 4 vezes ao ano (90 dias de estoque médio), e o custo de oportunidade do capital é 1% ao mês, são 3% sobre R$ 50 mil = R$ 1.500 de custo financeiro que não aparece em nenhuma nota mas pesa no caixa. Em produtos de giro lento, esse custo pode ser maior que a margem — e o vendedor descobre que está financiando o estoque do marketplace com prejuízo.
Giro e custo financeiro
Para aprofundar o custo de importação (inbound, Remessa Conforme, II e ICMS), leia Remessa Conforme: como calcular o custo real da compra internacional e use a calculadora de Remessa Conforme. Para o custo financeiro do estoque parado, a calculadora de giro de estoque mostra quanto dinheiro fica imobilizado.
Tributos: imposto sobre faturamento sem aconselhamento contábil
Simples Nacional e alíquota efetiva como exemplo, com ressalvas.
Toda venda tem imposto. O problema é que não existe uma porcentagem universal: o tributo depende do regime (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real), da atividade, do estado, de substituição tributária, de DIFAL, de retenções e da reforma tributária em curso. Este guia não dá aconselhamento contábil — explica como considerar o imposto sobre o faturamento na fórmula do preço, usando o Simples Nacional como exemplo, e ressalva que a alíquota efetiva deve ser confirmada com o contador.
Simples Nacional e alíquota efetiva
O Simples Nacional é o regime mais comum de pequenos vendedores. Para comércio (Anexo I), a alíquota parte de 4% sobre a primeira faixa de receita e sobe em faixas até o teto. O detalhe que confunde é que a alíquota efetiva não é a alíquota nominal da faixa: ela é calculada sobre a receita bruta dos últimos 12 meses, e o valor a pagar é determinado pela aplicação da alíquota interna de cada faixa sobre a receita excedente, somada a um valor fixo. Por isso, dois vendedores no mesmo anexo pagam alíquotas efetivas diferentes conforme o faturamento.
Alíquota efetiva do Simples (exemplo)
Na prática da precificação, o que importa é a alíquota efetiva que você efetivamente paga sobre o faturamento. Se o contador confirma que sua alíquota efetiva é 6%, você usa 6% como "imposto sobre faturamento" na fórmula do preço de venda. Não use 4% (a primeira faixa nominal) se sua receita já passou dessa faixa — isso subestima o imposto e superestima a margem.
Substituição tributária, DIFAL e retenções
Alguns produtos têm substituição tributária de ICMS: o imposto é cobrado antecipadamente sobre uma cadeia, e o vendedor paga mesmo sem ter feito a venda final. O DIFAL (diferencial de alíquota) incide quando a venda é interestadual para não contribuinte. Retenções de IR, CSLL e PIS/COFINS podem incidir conforme o regime e o porte. Nenhum desses valores é uma porcentagem universal — eles dependem do produto, do estado de origem e destino e do regime.
Reforma tributária em curso
Como o imposto entra na fórmula
O imposto sobre faturamento é um percentual sobre a venda — entra como custo variável na fórmula do preço de venda. Quanto maior a alíquota efetiva, maior o divisor que reduz o preço líquido. Por isso, dois vendedores do mesmo produto, no mesmo marketplace, com regimes tributários diferentes, têm preços mínimos diferentes — e o que tem alíquota efetiva menor consegue margem maior no mesmo preço.
Imposto como custo variável
Imposto por venda = Preço × alíquota efetiva
Onde usar: Entra na soma dos percentuais sobre a venda, junto com comissão, mídia e provisão de devoluções.
A alíquota efetiva é a que você efetivamente paga — não a nominal da faixa. Confirme com seu contador.
Substituição tributária e DIFAL na prática
A substituição tributária (ST) de ICMS incide em setores como autopeças, bebidas, medicamentos e perfumaria. Na ST, o imposto é cobrado antecipadamente de quem ocupa uma posição na cadeia — e o vendedor pode ter que recolher mesmo sem ser o fabricante. O efeito na precificação é direto: o imposto deixa de ser um percentual simples sobre a venda e passa a depender da operação. Se o produto está sujeito a ST, o vendedor precisa saber o valor da ST por unidade e incorporá-lo ao custo — não como percentual sobre a venda, mas como custo fixo por unidade.
O DIFAL (diferencial de alíquota) incide quando a venda é interestadual para não contribuinte. No Simples Nacional, a regra de DIFAL para não contribuintes tem cálculo específico e partilha da alíquota entre origem e destino. Para o vendedor de marketplace, que vende para todo o país, o DIFAL pode aparecer quando o comprador é pessoa física de outro estado. O ponto é: não assuma que o imposto é só a alíquota efetiva do Simples — pode haver DIFAL, ST e retenções adicionais conforme o produto e o destino.
Não confunda alíquota nominal com efetiva
Para a alíquota efetiva do Simples Nacional de comércio, consulte o Anexo I da Receita Federal. Para a metodologia de cálculo de impostos sobre venda, use a calculadora de taxas de marketplace, que já inclui o campo de imposto sobre faturamento.
Anatomia das tarifas de marketplace
Comissão, tarifa fixa, plano, parcelamento, logística, fulfillment, armazenagem, campanhas, cupons, afiliados, antecipação e chargeback.
A tarifa do marketplace não é uma linha só. Ela é um conjunto de componentes que entram em pontos diferentes da fórmula. Entender onde cada um entra é o que separa quem precifica de quem chuta preço. Esta seção decompõe as doze tarifas mais comuns e mostra o lugar de cada uma no cálculo.
| Componente | Como cobra | Onde entra na fórmula |
|---|---|---|
| Comissão percentual | % sobre o preço de venda | Custo variável (soma dos percentuais) |
| Tarifa fixa por venda | Valor fixo por item vendido | Custo fixo por unidade |
| Plano (Clássico/Premium etc.) | Muda a comissão e a tarifa fixa | Redefine comissão e tarifa fixa |
| Parcelamento sem juros | Taxa adicional sobre parcelas | Custo variável extra (se vendedor paga) |
| Logística do marketplace | Tarifa por envio ou por peso cúbico | Custo fixo por unidade (frete) |
| Fulfillment (FBA, Full) | Tarifa de manuseio + armazenagem | Custo fixo por unidade + custo mensal |
| Armazenagem | Por unidade/dia ou m³/mês | Custo fixo alocado por unidade |
| Campanhas do marketplace | Subsídio ou taxa extra temporária | Custo variável ou desconto no preço |
| Cupons do vendedor | Desconto dado pelo vendedor | Reduz o preço de venda efetivo |
| Afiliados/creators | Comissão extra sobre a venda | Custo variável adicional |
| Antecipação de recebíveis | Taxa sobre o valor antecipado | Custo financeiro do caixa |
| Chargeback/devolução | Perda do valor + custo de reversa | Provisão de perdas (%) |
Os valores exatos de cada componente variam por plataforma, categoria, plano e campanha. Os percentuais deste guia são hipóteses ilustrativas para simulação — confirme no painel oficial.
Comissão percentual e tarifa fixa
A comissão percentual é o componente mais visível — e o que os vendedores mais comparam. Mas a tarifa fixa por venda pode ser mais perigosa em produtos baratos: R$ 5 de tarifa fixa sobre uma venda de R$ 30 são 16,7% adicionais. Por isso, dois marketplaces com a mesma comissão percentual podem ter custos muito diferentes para produtos de ticket baixo.
Custo de canal por venda
Custo de canal = (Preço × comissão %) + tarifa fixa + logística + fulfillment + armazenagem alocada
Onde usar: Some ao custo monetário fixo por unidade e à soma dos percentuais sobre a venda.
Para produtos baratos, a tarifa fixa pesa mais que a comissão. Para produtos caros, a comissão pesa mais.
Parcelamento, antecipação e cupons
O parcelamento sem juros pode ser pago pelo marketplace ou pelo vendedor. Quando é o vendedor quem paga, a taxa de parcelamento entra como custo variável extra sobre o preço. A antecipação de recebíveis tem custo financeiro: receber em 1 dia em vez de 30 custa uma taxa sobre o valor. Cupons do vendedor reduzem o preço de venda efetivo — e reduzem o lucro, não o custo.
Cupom do vendedor não é marketing grátis
Afiliados e creators
Programas de afiliados (Shopee Affiliate, TikTok Shop creators) pagam uma comissão extra sobre a venda atribuída. Essa comissão é custo variável adicional: se o afiliado leva 10% e a comissão do canal é 14%, o custo total de canal sobre a venda é 24%. O vendedor decide se o volume extra do afiliado compensa a margem menor — e isso só se responde com a margem de contribuição, não com o faturamento.
Antecipação e o custo do recebimento
A antecipação de recebíveis é um custo financeiro que aparece como taxa sobre o valor antecipado. O marketplace paga a venda em D+30, mas oferece receber em D+1 mediante uma taxa. Essa taxa é custo — e entra na análise de rentabilidade do canal, não na fórmula do preço por unidade. O vendedor decide se antecipa conforme o custo de capital: se a taxa de antecipação é menor que o custo de oportunidade do dinheiro (juros do estoque, empréstimo), antecipar vale; se é maior, esperar vale.
Antecipação vs. custo de oportunidade
Campanhas temporárias e cupom do vendedor
Campanhas do marketplace (Black Friday, Dia sem Juros, Mega Promoção) podem ter cupom compartilhado: o marketplace banca parte do desconto e o vendedor banca parte. O subsídio do marketplace reduz o preço para o cliente sem reduzir o recebimento do vendedor — é presente. Mas o cupom do vendedor reduz o preço e o lucro. Antes de aderir a uma campanha, separe o que é subsídio (presente) do que é desconto do vendedor (custo) e calcule o desconto máximo permitido. Uma campanha que parece vender mais pode estar comendo a margem sem o vendedor perceber — porque o cupom dele entrou no preço.
Para decompor as taxas de cada plataforma, leia Taxas de marketplaces em 2026 e use a calculadora de taxas de marketplace. Para o parcelamento, a calculadora de parcelamento com juros mostra o custo total das parcelas.
Mercado Livre: Clássico x Premium, categoria, faixa de preço e Full
Como decidir o plano e a logística sem prometer tarifa universal.
O Mercado Livre oferece modalidades de anúncio (Clássico e Premium) que mudam a comissão e a exposição. A escolha não é universal: depende da categoria, da faixa de preço, da margem e do objetivo de volume. Esta seção explica como decidir — sem prometer uma tarifa que vale para todo produto.
Clássico x Premium
O anúncio Clássico tem comissão menor e aparece em posição padrão; o Premium tem comissão maior e ganha melhor posicionamento na busca. A diferença de comissão é o preço que se paga por exposição. A decisão é econômica: se o aumento de conversão gerado pela melhor posição compensa o aumento de comissão, o Premium vale; senão, o Clássico é mais rentável. A resposta depende do produto, da concorrência e da margem — não existe regra universal.
Quando o Premium compensa
Categoria e faixa de preço
A comissão do Mercado Livre varia por categoria e, em alguns casos, por faixa de preço. A mesma plataforma cobra percentuais diferentes para eletrônicos, moda, casa e bebês. Por isso, copiar a comissão que um vendedor de outra categoria citou no YouTube leva a erro. A fonte correta é a central de aprendizagem do vendedor e a página de comissão por vender, que detalham os percentuais por categoria.
Verificado em 5 de setembro de 2026
Frete e Full
O Mercado Livre Full é o serviço de fulfillment: o vendedor envia o estoque ao CD do marketplace, que cuida de armazenagem, separação, envio e devolução. O Full tem custo de tarifa logística por unidade + armazenagem mensal + envio ao CD. A vantagem é exposição (selo Full, prazo) e menos trabalho operacional; o custo é a tarifa. A decisão é um ponto de equilíbrio de volume: acima de certo número de vendas, o Full compensa pelo ganho de conversão e economia de operação própria.
Para decidir Full vs. logística própria, leia Mercado Livre Full: custos, vantagens e ponto de equilíbrio e use a calculadora Mercado Livre Full. Para o lucro por venda no ML, a calculadora de lucro no Mercado Livre já desconta comissão, tarifa fixa e logística.
Shopee: estrutura variável e necessidade de confirmar no painel
Sem percentuais exatos sem fonte oficial acessível e vigente.
A Shopee tem estrutura de tarifas variável por programa, campanha, conta e categoria. Diferente de outras plataformas, a Shopee não publica uma tabela pública estável de comissões de vendedor que possa ser citada com fonte oficial acessível e vigente. Por isso, este guia não atribui percentuais exatos à Shopee — declara a limitação e direciona o vendedor ao painel e à central da conta, onde os valores aplicáveis à sua conta, categoria e campanha vigente aparecem.
Limitação declarada: Shopee
O que é possível afirmar
É possível afirmar, sem fonte específica, que a Shopee cobra comissão sobre a venda, pode ter tarifa fixa por item em alguns programas, tem programas de frete subsidiado (Frete Fixo, Frete Grátis) que reduzem o custo visível ao cliente mas são pagos pelo vendedor, e tem campanhas temporárias (vouchers, cashback) que mudam o preço efetivo. Tudo isso entra na fórmula como custo variável (comissão) ou custo fixo por unidade (frete subsidiado) — mas os valores exatos só você vê no seu painel.
Como simular a Shopee sem travar tarifa
Para o lucro por venda na Shopee com seus valores, use a calculadora de lucro na Shopee — os campos de comissão, tarifa fixa e frete são editáveis para refletir o que está no seu Seller Center. Para a decisão de qual marketplace é mais lucrativo, Como escolher o marketplace mais lucrativo compara os critérios além da comissão.
Amazon: planos, comissão por categoria, comissão mínima, FBA e FBM
Individual x Profissional, comissão mínima, DBA e logística própria.
A Amazon Brasil tem dois planos de venda: Individual (sem mensalidade, com tarifa por item vendido) e Profissional (com mensalidade, sem tarifa por item). A comissão varia por categoria e existe comissão mínima por item. Em alguns casos, a base de cálculo da comissão inclui preço + frete. Esta seção explica como decidir o plano e a logística (FBA ou FBM) sem transformar promoção temporária em regra permanente.
Individual x Profissional
O plano Individual cobra uma tarifa fixa por item vendido e não tem mensalidade — é para quem vende pouco. O plano Profissional cobra uma mensalidade e não cobra tarifa por item — é para quem vende volume suficiente para a mensalidade se pagar. O ponto de equilíbrio é simples: se o número de vendas mensais vezes a tarifa por item do plano Individual supera a mensalidade do Profissional, migre.
Verificado em 5 de setembro de 2026
Comissão por categoria e comissão mínima
A comissão da Amazon é por categoria: eletrônicos, moda, casa, beleza e outras têm percentuais diferentes. Existe também uma comissão mínima por item — se o percentual aplicado ao preço fica abaixo do mínimo, cobra-se o mínimo. Isso muda a conta em produtos baratos: a comissão mínima pode representar um percentual efetivo bem maior que o nominal da categoria. Por isso, ao simular, use sempre o maior entre (preço × comissão %) e a comissão mínima.
FBA x FBM
FBA (Fulfillment by Amazon) é o serviço em que o vendedor envia o estoque ao CD da Amazon, que cuida de armazenagem, separação, envio, devolução e atendimento. FBM (Fulfillment by Merchant) é a logística própria do vendedor. O FBA tem custo de tarifa logística + armazenagem + envio ao CD; a vantagem é o selo Prime, que aumenta a conversão. O FBM tem custo operacional próprio; a vantagem é o controle e a margem maior por unidade (sem tarifa logística da Amazon).
FBA ou FBM é decisão de volume e margem
DBA: Delivery by Amazon
O DBA (Delivery by Amazon) é uma modalidade de logística em que o vendedor mantém o estoque na própria operação, embala o produto e imprime a etiqueta de envio — e a Amazon (ou transportadoras parceiras) faz a coleta e a entrega ao cliente. Existem modalidades de postagem (o vendedor leva o pacote a um ponto de coleta) e de coleta (a transportadora retira no endereço do vendedor), conforme a elegibilidade e o volume. A tarifa por unidade varia conforme o preço do produto, o peso ou peso cúbico e o estado de origem. Veja venda.amazon.com.br/cresca/dba.
A diferença entre DBA, FBA e FBM está em quem cuida do quê. No FBA, a Amazon cuida de armazenagem, separação, embalagem, envio e devolução — o vendedor só envia o estoque ao CD. No FBM, o vendedor cuida de tudo, inclusive da entrega. No DBA, o vendedor cuida da armazenagem, separação e embalagem; a Amazon cuida da coleta e da entrega. Por isso o DBA fica entre os dois: tem custo menor que o FBA (sem armazenagem no CD nem tarifa de picking da Amazon) e mais controle operacional que o FBM, mas não tem o selo Prime nem o SLA curto do FBA. A escolha entre os três depende de volume, margem, capacidade de operação própria e do ganho de conversão do selo Prime.
Para o lucro por venda na Amazon, use a calculadora Amazon, que já desconta comissão por categoria, comissão mínima, imposto e custos.
TikTok Shop: a regra oficial vigente e o efeito do limiar de R$ 50
Regra a partir de 15/07/2026, comissão por faixa e incentivos temporários.
O TikTok Shop tem uma regra oficial de comissão vigente a partir de 15/07/2026 que muda conforme o preço após o desconto do vendedor ficar abaixo ou acima de R$ 50. Esta seção explica a regra, o efeito do limiar e por que incentivos temporários podem alterar a conta — sempre confirmando no painel.
Verificado em 5 de setembro de 2026 — TikTok Shop
O efeito do limiar de R$ 50
O limiar de R$ 50 cria uma descontinuidade importante. Um produto vendido a R$ 49,90 paga 10% + R$ 4 por item; o mesmo produto vendido a R$ 50,00 paga 6% + R$ 6 por item. A diferença não é trivial: sobre R$ 49,90, a comissão é R$ 4,99 + R$ 4 = R$ 8,99 (18% efetivo); sobre R$ 50,00, é R$ 3,00 + R$ 6 = R$ 9,00 (18% efetivo). Os percentuais efetivos ficam próximos nesse ponto, mas a estrutura muda — e para preços mais altos, a faixa de R$ 50+ (6% + R$ 6) fica mais vantajosa por unidade.
Comparação no limiar de R$ 50
Incentivos temporários podem mudar a conta
Como a regra entra na fórmula
A comissão percentual entra como custo variável; a tarifa fixa por item (R$ 4 ou R$ 6) entra como custo fixo por unidade. Para o TikTok Shop, é preciso decidir a faixa pelo preço após desconto: se o preço com desconto fica abaixo de R$ 50, use 10% + R$ 4; se igual ou acima, use 6% + R$ 6. O comparador deste guia (Embed B) permite editar esses valores por canal.
Para aprofundar, leia TikTok Shop: como comissão e taxa por item afetam sua margem e Vender por R$ 49,90 ou R$ 50 no TikTok Shop muda a margem?. Para simular com seus números, use a calculadora TikTok Shop e a calculadora de lucro TikTok Shop.
A fórmula central do preço de venda
Por que multiplicar o custo por 1,30 não gera margem de 30%.
Esta é a seção mais importante do guia. A fórmula central do preço de venda é o que separa precificação de chute. Ela parte de uma ideia: o preço precisa cobrir os custos monetários fixos por unidade e ainda sobrar a margem desejada depois de todos os percentuais que incidem sobre a venda. A fórmula resolve isso em uma divisão.
Fórmula central do preço de venda
Preço = Custos monetários fixos por unidade ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda − margem desejada)
Onde usar: Custos monetários fixos = custo do produto + tarifa fixa + frete do vendedor + embalagem. Percentuais sobre a venda = comissão + imposto + mídia + provisão de devoluções (em decimal).
O divisor (1 − soma − margem) é a fração do preço que sobra para cobrir os custos fixos. Se o divisor for ≤ 0, não existe preço que dê essa margem — é preciso reduzir percentuais ou margem.
Por que multiplicar por 1,30 não dá margem de 30%
Multiplicar o custo por 1,30 aplica um markup de 30% — que é margem sobre custo, não margem sobre venda. O preço fica 30% acima do custo, mas a margem sobre venda é 30/130 = 23,1%. Pior: esse cálculo ignora comissão, imposto, frete e mídia. Se a soma dos percentuais sobre a venda é 30% (comissão 14% + imposto 6% + mídia 8% + provisão 2%), então sobre um preço de R$ 130 (custo R$ 100 × 1,3) saem R$ 39 de percentuais — e o lucro é R$ 130 − R$ 100 − R$ 39 = −R$ 9. Prejuízo, apesar do "markup de 30%".
Markup de 30% que vira prejuízo
Aplicando a fórmula central
Para o mesmo produto, com margem desejada de 10% sobre venda: custos fixos = 100 (produto) + 5 (tarifa) + 0 (frete) + 3 (embalagem) = R$ 108. Soma dos percentuais = 0,14 + 0,06 + 0,08 + 0,02 = 0,30. Divisor = 1 − 0,30 − 0,10 = 0,60. Preço = 108 / 0,60 = R$ 180. Conferindo: receita R$ 180, comissão R$ 25,20, imposto R$ 10,80, mídia R$ 14,40, provisão R$ 3,60, tarifa R$ 5, embalagem R$ 3, produto R$ 100. Total de saídas = 162. Lucro = 180 − 162 = R$ 18 = 10% de R$ 180. A fórmula fecha.
Fórmula inversa: lucro líquido e margem a partir do preço
A fórmula inversa parte de um preço já definido e calcula o lucro líquido e a margem. É útil para avaliar um preço herdado (de um concorrente, de uma campanha) ou testar sensibilidade. O lucro líquido é a receita menos todos os custos e percentuais; a margem é o lucro dividido pela receita.
Fórmula inversa de lucro líquido
Lucro líquido = Preço − (custo do produto + Preço × soma dos percentuais + tarifa fixa + frete + embalagem)
Margem líquida = Lucro líquido ÷ Preço. Use para conferir se um preço existente dá a margem desejada.
Para a calculadora completa de preço de venda, use a calculadora de preço de venda. Para aprofundar a fórmula, leia Como calcular preço de venda em marketplaces sem perder margem e Como calcular preço de venda de um produto (este último é o artigo geral de preço de venda).
Preço mínimo, margem de segurança e desconto máximo
Fórmulas, promoções, cupons compartilhados, subsídio e ponto de equilíbrio.
Preço mínimo é o menor valor que cobre custos, percentuais sobre a venda e a margem-piso que o vendedor decidiu não cruzar. Desconto máximo é quanto o vendedor pode abaixar do preço atual sem ultrapassar esse piso. Esses dois números são a defesa do negócio contra promoções que parecem vender mais e lucram menos.
Preço mínimo
Preço mínimo = Custos monetários fixos por unidade ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda − margem-piso)
Onde usar: Margem-piso é a margem mínima que o vendedor aceita — não zero, porque zero não cobre custo fixo do período nem risco.
Se o divisor for ≤ 0, não existe preço que dê essa margem-piso com esses percentuais. Reduza comissão, mídia ou margem-piso.
Desconto máximo sobre o preço atual
Desconto máximo % = (Preço atual − Preço mínimo) ÷ Preço atual × 100
Onde usar: É o espaço de desconto antes de cruzar o prejuízo.
Se o preço atual já está abaixo do preço mínimo, qualquer desconto gera prejuízo — o alerta deve disparar.
Promoções, cupons compartilhados e subsídio
Promoções do marketplace (Black Friday, Dia das Mães) podem ter cupom compartilhado: o marketplace banca parte e o vendedor banca parte. O subsídio do marketplace reduz o preço para o cliente sem reduzir o recebimento do vendedor — é presente. Mas o cupom do vendedor reduz o preço e o lucro. Antes de aderir a uma campanha, separe o que é subsídio (presente) do que é desconto do vendedor (custo) e calcule o desconto máximo permitido.
Frete grátis e ponto de equilíbrio
Margem de segurança
A margem-piso não deve ser zero. Zero significa que o vendedor aceita vender sem lucro para cobrir custo fixo do período e risco — o que só faz sentido em liquidação de estoque. A margem de segurança típica cobre o custo fixo do período alocado por unidade, uma provisão para variação de câmbio/inbound e o risco de devolução. Definir a margem-piso é uma decisão estratégica, não um número universal.
Para aprofundar, leia Como calcular preço mínimo, margem e desconto máximo e use a calculadora de desconto máximo e a calculadora de preço mínimo no marketplace.
Frete e logística: custo real, peso cúbico e fulfillment
Custo de separação, embalagem, devolução, SLA e matriz de decisão.
O frete é uma das saídas mais subestimadas. O vendedor vê o valor que o cliente paga e esquece o custo real: separação, embalagem, coleta, transporte, peso cúbico, devolução e SLA. Esta seção decompõe o custo real do frete e apresenta uma matriz de decisão entre fulfillment do marketplace e operação própria.
Custo real do frete
- Separação: mão de obra/tempo de separação para encontrar o produto no CD e conferir.
- Embalagem: caixa, plástico, fita, etiqueta de envio, amortecimento.
- Coleta: se o marketplace não coleta, o vendedor paga transportadora.
- Transporte: tarifa por peso ou peso cúbico — o peso cúbico castiga produtos volumosos e leves.
- Devolução: logística reversa + perda de valor do produto devolvido.
- SLA: prazo de entrega afeta conversão — prazo curto converte mais, mas custa mais.
Peso cúbico
O peso cúbico é calculado a partir do volume do pacote, não do peso real. Transportadoras usam um fator de conversão (ex.: peso cúbico = comprimento × largura × altura ÷ fator). O que vale é o maior entre peso real e peso cúbico. Por isso, um produto leve mas volumoso (almofada, plástico de bolha) paga frete de produto pesado — e a margem some se o vendedor não considerou o peso cúbico no custo.
Peso cúbico
Peso cúbico = (Comprimento × Largura × Altura) ÷ fator de conversão
Onde usar: O fator varia por transportadora. O frete cobra o maior entre peso real e peso cúbico.
Produtos volumosos e leves sofrem mais com o peso cúbico. Reduza o volume da embalagem para baixar o frete.
Fulfillment x operação própria: matriz de decisão
| Critério | Fulfillment (FBA/Full) | Operação própria (FBM) |
|---|---|---|
| Custo por unidade | Tarifa logística + armazenagem | Custo de separação + embalagem + transporte |
| Custo fixo | Envio ao CD + armazenagem mensal | Aluguel do CD + mão de obra |
| Conversão | Maior (selo, prazo curto) | Depende do SLA atingido |
| Esforço operacional | Baixo (marketplace cuida) | Alto (vendedor cuida) |
| Risco de devolução | Marketplace processa | Vendedor processa |
| Capital empatado | Estoque no CD do marketplace | Estoque no CD próprio |
| Ponto de equilíbrio | Compensa em volume alto | Compensa em volume baixo/médio |
A decisão não é só custo: conversão, esforço e risco pesam. Simule com as calculadoras de Amazon FBA, FBA ou FBM e Mercado Livre Full.
SLA e conversão
SLA, conversão e o custo do prazo
O SLA (prazo de entrega) afeta a conversão de forma mensurável. Clientes compram mais quando o prazo é curto — e o fulfillment do marketplace costuma oferecer SLA de 1 a 2 dias, que é difícil de igualar com operação própria fora das capitais. O custo do SLA curto é a tarifa do fulfillment; o benefício é a conversão maior. A decisão não é só custo logístico: é custo logístico versus ganho de conversão. Se o fulfillment custa R$ 14 por unidade mas aumenta a conversão em 25%, e a margem de contribuição é R$ 40, o ganho de conversão (R$ 10 por venda a mais) quase paga a tarifa (R$ 14) — e o esforço operacional cai.
O contrário também vale: se a operação própria atinge SLA competitivo (2-3 dias) com custo baixo, o fulfillment não compensa. Por isso, a decisão logística deve ser testada, não assumida. Rode um teste A/B entre fulfillment e operação própria por 30 dias, meça a conversão e o lucro líquido real de cada modelo, e decida com os números — não com a intuição de que "selo vende mais".
Ponto de equilíbrio do fulfillment
Para a decisão de frete grátis, a calculadora de frete grátis mostra o ponto de equilíbrio de conversão. Para o custo de logística reversa, reserve-o na provisão de devoluções da fórmula central.
Mídia e aquisição: ACOS, TACOS, ROAS, CPA máximo e afiliados
Conectando publicidade à margem de contribuição.
Mídia é a saída que mais confunde. Vendedores aumentam o investimento em anúncios para "fazer volume" e descobrem que o lucro caiu. O erro é tratar ROAS como sinônimo de lucro. ROAS mede receita por real investido, mas não desconta custo do produto, comissão, imposto e frete. Uma campanha com ROAS de 4 pode dar prejuízo se a margem de contribuição for baixa. Esta seção conecta a mídia à margem de contribuição.
ACOS, TACOS e ROAS
ACOS, TACOS e ROAS
ACOS = Mídia ÷ Receita da campanha × 100 | TACOS = Mídia ÷ Receita total × 100 | ROAS = Receita da campanha ÷ Mídia
Onde usar: ACOS é o custo de mídia sobre a receita da campanha; TACOS é sobre a receita total; ROAS é o inverso do ACOS.
ACOS de 25% = ROAS de 4. Mas se a margem de contribuição é 20%, a campanha dá prejuízo: a mídia (25%) supera a margem (20%).
ROAS alto não é lucro
CPA máximo
O CPA máximo é o quanto o vendedor pode pagar por aquisição (cliente ou venda) sem dar prejuízo. Ele é a margem de contribuição por venda — não a margem líquida, porque o CPA é custo variável que escala com a venda. Se a margem de contribuição é R$ 18, o CPA máximo é R$ 18; acima disso, cada cliente custa mais do que gera.
CPA máximo
CPA máximo = Margem de contribuição por venda = Preço − (custo do produto + Preço × soma dos percentuais variáveis)
Onde usar: É o teto de gasto por aquisição sem prejuízo.
Use a calculadora de CPA máximo para encontrar o teto de lance em anúncios.
Mídia do marketplace e afiliados
A mídia dentro do marketplace (Ads do ML, Shopee Ads, Sponsored Products da Amazon) compete com a mídia externa (Meta, Google, TikTok Ads). A diferença é que a mídia dentro do marketplace incide sobre a venda atribuída e tem efeito mais direto na conversão do canal; a mídia externa pode trazer tráfego para fora do marketplace. Afiliados (Shopee Affiliate, TikTok creators) são comissão extra sobre a venda — custo variável adicional que reduz a margem de contribuição.
Conecte a mídia à margem, não ao faturamento
TACOS e a visão total da mídia
O TACOS (Total Advertising Cost of Sales) é a métrica que conecta a mídia ao negócio inteiro, não só à campanha. Ele é a mídia total dividida pela receita total — não só pela receita da campanha. Um TACOS de 10% significa que 10% de tudo o que a loja faturou foi gasto em anúncios. O TACOS é mais honesto que o ACOS porque mostra o peso real da mídia no faturamento. Se o ACOS de uma campanha é 15% mas o TACOS da loja é 25%, a mídia está comendo um quarto do faturamento — e se a margem de contribuição é 20%, a loja está no prejuízo.
A regra prática é: o TACOS não pode superar a margem de contribuição média da loja. Se a margem de contribuição média é 22% e o TACOS está em 25%, a loja perde dinheiro a cada venda impulsionada por mídia — mesmo que o faturamento cresça. Reduzir o TACOS (mídia mais eficiente, canais orgânicos, produtos com margem maior) é mais sustentável que aumentar a verba.
ACOS vs. TACOS
Para aprofundar, leia ROAS, ACOS e lucro: como saber se a mídia do marketplace compensa e use a calculadora de margem de contribuição para encontrar o ROAS mínimo de equilíbrio.
Comparação entre canais: mesma mercadoria, quatro marketplaces
Parâmetros editáveis e critérios além da comissão.
A comparação entre canais não é só sobre comissão. Dois marketplaces com a mesma comissão podem ter lucro líquido diferente por causa da tarifa fixa, do frete, da armazenagem, do giro, da devolução e do capital empatado. Esta seção compara a mesma mercadoria em Mercado Livre, Shopee, Amazon e TikTok Shop com parâmetros editáveis — e lista os critérios que vão além da comissão.
Critérios além da comissão
| Critério | Por que importa |
|---|---|
| Lucro líquido por venda | O que realmente sobra — não a comissão |
| Margem líquida | Sustenta desconto e mídia sem prejuízo |
| Lucro por pedido | Considera tarifa fixa e frete por unidade |
| Giro (velocidade de venda) | Canal que vende mais rápido paga mais custos fixos |
| Devolução | Canal com mais devolução exige preço maior |
| Capital empatado | Estoque parado no CD do canal custa juros |
| Esforço operacional | Fulfillment reduz esforço, operação própria exige equipe |
| Risco | Dependência de um canal concentra risco |
O comparador deste guia (Embed B) ranqueia por lucro líquido e margem. A decisão final considera giro, esforço e risco — não só comissão.
Giro, capital empatado e esforço
O giro é a velocidade de venda. Um canal com comissão maior mas giro 3× mais rápido pode dar mais lucro no período que um canal com comissão menor e giro lento — porque o custo fixo do período se dilui em mais vendas. O capital empatado é o dinheiro preso em estoque no CD do canal: quanto mais lento o giro, mais capital parado, mais custo financeiro. O esforço operacional é o tempo de equipe gasto em cada canal: fulfillment reduz esforço, operação própria exige equipe.
Por isso, a comparação entre canais é multidimensional. O ranking por lucro líquido (Embed B) é o ponto de partida, mas a decisão final pondera giro, capital e esforço. Um canal que dá R$ 2 a menos de lucro por venda mas gira 2× mais rápido e exige metade do esforço pode ser a melhor escolha — porque no período gera mais lucro total com menos trabalho. O comparador mostra o lucro por venda; a leitura do giro e do esforço é do vendedor, que conhece a operação.
Giro compensando comissão maior
Não venda em todos ao mesmo tempo sem margem
Para a decisão completa, leia Como escolher o marketplace mais lucrativo para o seu produto e use a calculadora de qual marketplace é mais lucrativo e o comparador de marketplaces completo.
Estudos de caso completos
Quatro produtos, números em reais e contas auditáveis.
Esta seção apresenta quatro estudos de caso com números em reais e contas auditáveis. Cada caso mostra premissas, cálculo, resultado, decisão, sensibilidade e o que mudaria a conclusão. As taxas usadas são hipóteses ilustrativas — confirmadas nos painéis oficiais, mudam os números, mas não o método.
Caso 1: produto barato abaixo de R$ 50 no TikTok Shop
Premissas
- Custo do produto: R$ 18 (compra + inbound).
- Embalagem: R$ 1,50. Tarifa fixa do canal: R$ 4 (faixa abaixo de R$ 50).
- Comissão: 10% (faixa abaixo de R$ 50). Imposto: 6%. Mídia: 0%. Provisão de devoluções: 3%.
- Preço de venda: R$ 49,90.
Cálculo
- Receita: R$ 49,90.
- Comissão 10%: R$ 4,99. Imposto 6%: R$ 2,99. Provisão 3%: R$ 1,50.
- Tarifa fixa: R$ 4. Embalagem: R$ 1,50. Produto: R$ 18.
- Total de saídas: 4,99 + 2,99 + 1,50 + 4 + 1,50 + 18 = R$ 32,98.
- Lucro líquido: 49,90 − 32,98 = R$ 16,92.
- Margem líquida: 16,92 ÷ 49,90 = 33,9%.
Resultado
- Lucro líquido: R$ 16,92 por venda. Margem: 33,9%.
Decisão
O produto barato no TikTok Shop, na faixa abaixo de R$ 50, tem margem saudável porque o custo do produto é baixo e não há mídia. Vale vender — mas a tarifa fixa de R$ 4 pesa 8% do preço, então o giro precisa ser alto para compensar o esforço.
Sensibilidade
- Se o preço subir para R$ 50,00 (faixa acima), a comissão cai para 6% (R$ 3) e a tarifa fixa sobe para R$ 6. Lucro: 50 − 3 − 3 − 1,50 − 6 − 1,50 − 18 = R$ 17,00. Margem: 34%. Praticamente igual — o limiar não muda muito neste ponto.
- Se a mídia subir para 10%, o lucro cai para 49,90 − 4,99 − 2,99 − 1,50 − 4,99 − 4 − 1,50 − 18 = R$ 11,93. Margem: 23,9%. Ainda lucrativo, mas a mídia come 10 pontos de margem.
Caso 2: produto médio com frete subsidiado no Mercado Livre
Premissas
- Custo do produto: R$ 60. Embalagem: R$ 3. Frete subsidiado pelo vendedor: R$ 12 (frete grátis).
- Comissão ML: 14%. Tarifa fixa: R$ 5. Imposto: 6%. Mídia: 8%. Provisão: 2%.
- Preço de venda: R$ 149,90.
Cálculo
- Receita: R$ 149,90.
- Comissão 14%: R$ 20,99. Imposto 6%: R$ 8,99. Mídia 8%: R$ 11,99. Provisão 2%: R$ 3,00.
- Tarifa fixa: R$ 5. Frete: R$ 12. Embalagem: R$ 3. Produto: R$ 60.
- Total de saídas: 20,99 + 8,99 + 11,99 + 3,00 + 5 + 12 + 3 + 60 = R$ 124,97.
- Lucro líquido: 149,90 − 124,97 = R$ 24,93.
- Margem líquida: 24,93 ÷ 149,90 = 16,6%.
Resultado
- Lucro líquido: R$ 24,93 por venda. Margem: 16,6%.
Decisão
O frete grátis de R$ 12 pesa 8% do preço. Sem ele, a margem seria 24,6%. O frete grátis só compensa se aumentar a conversão em mais de ~10% — abaixo disso, é melhor cobrar frete e manter margem.
Sensibilidade
- Sem frete grátis (frete R$ 0): lucro = 149,90 − 20,99 − 8,99 − 11,99 − 3 − 5 − 0 − 3 − 60 = R$ 36,93. Margem: 24,6%. Se a conversão com frete grátis não for 48% maior (36,93/24,93 − 1), o frete grátis destrói margem.
- Se a comissão subir para 18% (Premium): lucro cai para 149,90 − 26,98 − 8,99 − 11,99 − 3 − 5 − 12 − 3 − 60 = R$ 18,94. Margem: 12,6%. O Premium só vale se a conversão compensar os 4 pontos de comissão.
Caso 3: produto com mídia no TikTok Shop (faixa acima de R$ 50)
Premissas
- Custo do produto: R$ 45. Embalagem: R$ 2. Frete: R$ 0 (marketplace cuida).
- Comissão TikTok Shop: 6% (faixa ≥ R$ 50). Tarifa fixa: R$ 6. Imposto: 6%. Mídia: 15%. Provisão: 4%.
- Preço de venda: R$ 89,90.
Cálculo
- Receita: R$ 89,90.
- Comissão 6%: R$ 5,39. Imposto 6%: R$ 5,39. Mídia 15%: R$ 13,49. Provisão 4%: R$ 3,60.
- Tarifa fixa: R$ 6. Embalagem: R$ 2. Produto: R$ 45.
- Total de saídas: 5,39 + 5,39 + 13,49 + 3,60 + 6 + 2 + 45 = R$ 80,87.
- Lucro líquido: 89,90 − 80,87 = R$ 9,03.
- Margem líquida: 9,03 ÷ 89,90 = 10,0%.
Resultado
- Lucro líquido: R$ 9,03 por venda. Margem: 10,0%.
Decisão
A mídia de 15% come 15 pontos de margem. O ROAS da campanha é 1/0,15 = 6,67 — abaixo disso, prejuízo. Se a campanha está com ROAS 5, a mídia de 15% dá prejuízo. Reduzir a mídia para 8% sobe a margem para 17%.
Sensibilidade
- Mídia 8%: lucro = 89,90 − 5,39 − 5,39 − 7,19 − 3,60 − 6 − 2 − 45 = R$ 15,33. Margem: 17%. ROAS mínimo cai para 12,5 — campanha com ROAS 8 já lucra.
- Se a comissão subir para 10% (faixa abaixo de R$ 50, preço R$ 49,90): lucro = 49,90 − 4,99 − 2,99 − 7,49 − 1,50 − 4 − 2 − 45 = −R$ 18,07. Prejuízo. O produto não sobrevive abaixo de R$ 50 com esse custo e essa mídia.
Caso 4: produto em fulfillment (Amazon FBA)
Premissas
- Custo do produto: R$ 80. Embalagem: R$ 2 (já no CD).
- Tarifa logística FBA: R$ 14. Armazenagem alocada: R$ 3/unidade. Envio ao CD: R$ 2/unidade alocado.
- Comissão Amazon: 15% (categoria). Comissão mínima: não aplicável (preço alto). Imposto: 6%. Mídia: 5%. Provisão: 3%.
- Preço de venda: R$ 199,90.
Cálculo
- Receita: R$ 199,90.
- Comissão 15%: R$ 29,99. Imposto 6%: R$ 11,99. Mídia 5%: R$ 10,00. Provisão 3%: R$ 6,00.
- Tarifa logística FBA: R$ 14. Armazenagem: R$ 3. Envio ao CD: R$ 2. Embalagem: R$ 2. Produto: R$ 80.
- Total de saídas: 29,99 + 11,99 + 10,00 + 6,00 + 14 + 3 + 2 + 2 + 80 = R$ 158,98.
- Lucro líquido: 199,90 − 158,98 = R$ 40,92.
- Margem líquida: 40,92 ÷ 199,90 = 20,5%.
Resultado
- Lucro líquido: R$ 40,92 por venda. Margem: 20,5%.
Decisão
O FBA custa R$ 19 por unidade (tarifa + armazenagem + envio ao CD), mas o selo Prime tende a aumentar a conversão. Se a conversão com Prime for 20% maior que FBM, o FBA compensa. Sem o ganho de conversão, o FBM (sem tarifa logística) daria margem maior.
Sensibilidade
- Sem FBA (FBM, sem tarifa logística e armazenagem, mas com custo operacional próprio de R$ 8): lucro = 199,90 − 29,99 − 11,99 − 10 − 6 − 0 − 0 − 0 − 2 − 8 − 80 = R$ 51,92. Margem: 26%. O FBM dá margem maior — mas só vence se a operação própria atingir SLA competitivo sem perder conversão.
- Se a armazenagem subir para R$ 8 (estoque parado 4 meses): lucro cai para R$ 35,92. Margem: 18%. O giro importa — estoque parado no FBA custa caro.
As taxas são hipóteses ilustrativas
Plano de implementação em 7 dias
Inventário, validação, preço mínimo, teste de canal, desconto, rotina e revisão.
Saber a fórmula não basta — é preciso transformar em rotina. Este plano de 7 dias leva o vendedor do diagnóstico à rotina mensal de revisão de preços. Cada dia tem uma tarefa específica e verificável.
Os 7 dias
- Dia 1 — Inventário de custos: liste todos os produtos e levante o custo real (compra, inbound, embalagem, armazenagem, perdas, custo financeiro).
- Dia 2 — Validação do painel: abra o Seller Center de cada marketplace e anote a comissão, tarifa fixa e logística vigentes por categoria.
- Dia 3 — Preço mínimo: para cada produto, calcule o preço mínimo com a margem-piso definida (use o Embed C deste guia).
- Dia 4 — Teste de canal: rode o comparador (Embed B) com a mesma base de produto em cada marketplace e identifique o canal de maior margem líquida.
- Dia 5 — Política de desconto: defina o desconto máximo por produto e escreva a regra de cupom (quando o vendedor banca, quando o marketplace subsídia).
- Dia 6 — Rotina semanal: crie um check semanal de conversão, ROAS e devolução por canal; ajuste mídia pelo ROAS mínimo de equilíbrio.
- Dia 7 — Revisão mensal: refaça o custo real, confirme as taxas dos painéis e recalcule o preço mínimo de cada produto.
Checklist final
Checklist final de precificação — 12 verificações
- 1.Custo real de cada produto levantado (não só o preço da nota).
- 2.Alíquota efetiva do imposto confirmada com o contador.
- 3.Comissão, tarifa fixa e logística de cada marketplace confirmados no painel.
- 4.Preço mínimo calculado para cada produto com margem-piso definida.
- 5.Desconto máximo por produto definido e respeitado.
- 6.ROAS mínimo de equilíbrio calculado para cada campanha de mídia.
- 7.Comparador de canais rodado com os números reais do negócio.
- 8.Provisão de devoluções e perdas incorporada ao preço.
- 9.Custo financeiro do estoque considerado no CMV.
- 10.Política de cupom escrita (subsídio vs. desconto do vendedor).
- 11.Rotina semanal de conversão/ROAS/devolução criada.
- 12.Revisão mensal de custo e taxas agendada.
Glossário curto
Os nove conceitos deste guia, em uma linha cada: receita (o que o cliente paga); lucro bruto (receita menos CMV); margem de contribuição (receita menos custos variáveis); lucro líquido (receita menos tudo); markup (multiplicador sobre custo); margem sobre venda (lucro líquido sobre preço); CMV (custo do produto vendido); custo fixo (não varia com volume); custo variável (escala com a venda).
FAQ editorial
As 12 perguntas mais frequentes sobre precificação em marketplaces estão respondidas no FAQ deste guia (ver seção de perguntas frequentes abaixo). Cada resposta é curta e direta, com remissão ao trecho do guia que aprofunda o tema.
Aviso final
Transforme este método em uma rotina de precificação
Descubra preço mínimo, preço-meta, margem real, desconto máximo e lucro por venda sem reconstruir a conta a cada anúncio.
Perguntas frequentes
Precificar por faturamento é errado?⌄
Faturamento é só a receita. Uma venda de R$ 100 com R$ 92 de custos e taxas gera R$ 8 de lucro. Decidir pelo faturamento esconde o quanto realmente sobra. O correto é decidir pelo lucro líquido e pela margem.
Existe uma comissão universal dos marketplaces?⌄
Não. A comissão varia por plataforma, categoria, plano, faixa de preço, programa de logística e campanha vigente. Os valores deste guia são hipóteses ilustrativas para simulação; sempre confirme no painel oficial do vendedor.
Multiplicar o custo por 1,3 dá margem de 30%?⌄
Não. Multiplicar o custo por 1,3 gera markup de 30%, que é uma margem sobre custo — diferente de margem sobre venda. Se o preço é 1,3× o custo, a margem sobre venda é 30/130 = 23,1%. Para margem de 30% sobre venda, divida o custo por (1 − 0,30).
Como o frete grátis entra no cálculo?⌄
O frete grátis é um custo do vendedor. Ele não some porque o cliente não paga — alguém paga. Se o vendedor subsidia o frete, o valor entra como custo fixo por unidade na fórmula do preço de venda.
O que é margem de contribuição e por que importa?⌄
Margem de contribuição é o que sobra da venda depois dos custos variáveis (comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções). É o valor que ajuda a cobrir os custos fixos do negócio e gerar lucro. Uma venda com margem de contribuição negativa destrói caixa, mesmo que fature.
Como defino o preço mínimo?⌄
Preço mínimo = custos monetários fixos por unidade ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda − margem-piso). É o menor preço que cobre custos, taxas e a margem-piso desejada. Abaixo disso, qualquer desconto gera prejuízo.
Qual a regra do TikTok Shop a partir de 15/07/2026?⌄
Segundo a fonte oficial: preço após desconto do vendedor abaixo de R$ 50 = comissão de 10% + R$ 4 por item; preço igual ou acima de R$ 50 = comissão de 6% + R$ 6 por item. Incentivos temporários podem alterar a conta — confirme no painel.
ROAS alto significa que estou lucrando?⌄
Não necessariamente. ROAS mede receita por real investido em mídia, mas não desconta custo do produto, comissão, imposto, frete e embalagem. Uma campanha com ROAS de 4 pode dar prejuízo se a margem de contribuição for baixa. Conecte a mídia à margem de contribuição, não ao faturamento.
Simples Nacional tem uma alíquota única?⌄
Não. O Simples Nacional tem alíquota efetiva que varia conforme a receita bruta dos últimos 12 meses, o anexo, a faixa e a atividade. Comércio está no Anexo I. A alíquota não é uma porcentagem universal — confirme com seu contador.
Vale a pena vender em todos os marketplaces ao mesmo tempo?⌄
Depende da margem líquida, do giro, do capital empatado, do esforço operacional e do risco de devolução por canal. O comparador deste guia mostra o ranking por lucro líquido; a decisão final considera volume, esforço e risco, não só comissão.
Com que frequência devo revisar os preços?⌄
No mínimo uma vez por mês, e sempre que houver mudança de comissão, plano, campanha, custo de produto, frete ou tributo. O plano de 7 dias deste guia cria uma rotina semanal de conferência e uma revisão mensal completa.
Este guia dá aconselhamento contábil?⌄
Não. O guia é conteúdo educacional. Questões tributárias (regime, alíquota, substituição tributária, DIFAL, retenções, reforma tributária) devem ser confirmadas com seu contador. Confirme sempre as taxas no painel da plataforma.
Glossário
- Receita
- Valor que o cliente paga pelo produto (faturamento bruto da venda).
- Lucro bruto
- Receita menos o custo do produto (CMV). Ainda não desconta taxas, frete, imposto e mídia.
- Margem de contribuição
- Receita menos os custos variáveis (comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções). O que sobra para cobrir custos fixos e gerar lucro.
- Lucro líquido
- Receita menos todos os custos e taxas da venda (produto, comissão, tarifa fixa, imposto, frete, embalagem, mídia, provisão).
- Markup
- Multiplicador aplicado ao custo. Markup de 1,3 gera preço 30% acima do custo (margem sobre custo).
- Margem sobre venda
- Lucro líquido dividido pelo preço. É a margem que importa para a decisão comercial.
- CMV
- Custo da mercadoria vendida — o custo direto do produto que foi vendido.
- Custo fixo
- Custo que não varia com a quantidade vendida (ex.: aluguel, software). Por unidade, diminui conforme o volume sobe.
- Custo variável
- Custo que escala com a venda (ex.: comissão, imposto, mídia, provisão de devoluções).
Revisão editorial
Status
Revisado
Responsável
Equipe Calcula Melhor
Última revisão
5 de setembro de 2026
Fontes oficiais consultadas
- 1.Mercado Livre — como funcionam as taxas · Mercado Livre
- 2.
- 3.
- 4.
- 5.Amazon DBA — Delivery by Amazon · Amazon
- 6.TikTok Shop Brasil — tarifa de comissão oficial · TikTok Shop
- 7.Receita Federal — Anexo I do Simples Nacional (comércio) · Receita Federal
- 8.
- 9.
Conteúdo educacional. Confirme as taxas no painel da plataforma e as decisões tributárias com seu contador. Os percentuais de comissão citados são hipóteses ilustrativas para simulação — sempre confirme os valores vigentes no painel do vendedor.
Histórico de atualizações
- 2026-09-05 — Publicação inicial do guia com 17 seções, 3 calculadoras incorporadas, 4 estudos de caso e fontes oficiais de Mercado Livre, Amazon, TikTok Shop, Receita e Sebrae.